sexta-feira, 2 de dezembro de 2016

Os Árabes Também Dançam

título original: Dancing Arabs
gênero: Drama
duração: 01h 44 min
ano de lançamento: 2014
estúdio: United Channel Movies
direção: Eran Riklis
roteiro: Sayed Kashua
fotografia: Michael Wiesweg
direção de arte: Yoel Herzberg

Eyad vive com sua família em Tira, Palestina. Por seu pai ser um militante, desde criança ele vê de perto as consequências dos conflitos. Quando ele passa em uma conceituada universidade em Jerusalém a princípio sente que não se encaixa naquele ambiente, mas aos poucos ele vai se inserindo nessa nova vida social graça s a amizade que faz com Naomi.
Do mesmo diretor de "Lemon Tree" esse filme também trabalha a questão Israel-Palestina mas de uma forma mais leve. Namorando com "Romeu e Julieta" o roteiro te faz ter mais um motivo para torcer pela uma pacificação entre judeus e árabes.
Ainda assim, o princípio do filme parece prometer mais situações conflituosas do que realmente acontecem.
Os "alívios cômicos" agridoces ficam por conta da interação entre Eyad (Tawfeek Barhorn) e Yonatan (Michael Moshonov) e as piadinhas que um faz com o outro sobre ser árabe/judeu.

A fotografia é agradável, sem muitos destaques, mas a trilha sonora brilha colocando músicas dos anos 90 de culturas estrangeiras.
Quando vi que era um filme de Eran Riklis assumo que coloquei um pouco de expectativa a mais do que devia, mesmo assim é uma obra a ser vista.

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb

quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

O Filho Eterno

gênero: Drama
duração: 01h 22 min
ano de lançamento: 2016
estúdio:  RT Features
direção: Paulo Machline
roteiro:  Leonardo Levis, Cristovão Tezza
fotografia: André Turpin
direção de arte: Colombe Raby


TEXTO PRODUZIDO PARA CENTRAL42

1982, Curitiba. Roberto, um escritor ainda não publicado, está para ter seu primeiro filho com Cláudia, uma jornalista. Quando Fabrício nasce eles descobrem que a criança tem Síndrome de Down. Roberto não lida bem com a novidade e o que era um sonho ganha um dissabor.

Essa trama toca em temas polêmicos. Não só mostra a forma de um casal lidar com a notícia de ter um filho com Síndrome de Down, mas também a falta de informação que havia sobre o assunto há mais de 30 anos atrás. Além disso é tratado o abandono parental, o preconceito e as frustrações.

Um ponto interessante levantado durante coletiva foi: e se o abandono fosse por parte da mãe, a redenção seria tão aceita? Ao responder a essa pergunta Debora Falabella disse acreditar que não, já que nossa sociedade encara como muito mais absurdo uma mãe rejeitar o filho do que o pai, por verem a mulher como alguém que deveria estar pronta toda a vida para esse momento.

Além de muito tocante ( fica difícil não chorar em alguns momentos do filme) o roteiro ainda tem uma cronologia muito interessante, o passar do tempo é relatado através das Copas do Mundo. Dá, inclusive, para fazer ali uma relação entre a relação que o pai tinha com o futebol, como o filho acabou sendo um anti-amuleto para ele, e como só ao ficar em paz com seus sentimentos em relação ao filho a "sorte no jogo" volta. As cenas de arquivo dos jogos da Copa ajudam a trazer uma emotividade maior aos saudosistas.

Outra característica interessante dessa produção é a caracterização dos anos 1980, muito bem feita - desde as roupas, móveis até ambientes e carros. A trilha sonora é intensa, talvez um pouco demais em alguns momentos do filme, mas nada que atrapalhe.

O elenco tem em seus papéis principais Marcos Veras, Debora Falabella e Pedro Vinícius. Pedro é um garoto encantador que traz veracidade à história, inclusive o diretor relatou na coletiva que algumas cenas foram incluídas por ele, feitas na improvisação do momento. Debora Falabella é serena e centrada durante quase toda a trama, mas é uma cena em que ela mostra sua fraqueza em relação a esse filho especial que insere mais realidade a sua história. Marcos Veras é uma figura mais conhecida pelo público pelos seus papéis de comédia, então é um pouco difícil se desapegar disso para enxergá-lo com um novo olhar; ainda assim seus sentimentos são tão vívidos que - por mais que seja compreensível o dilema do personagem - é difícil não sentir um pouco de raiva ou revolta com suas atitudes.

Por fim, trata-se de uma história tocante e que com certeza veio para questionar algumas coisas, mas acredito que poderia ter um toque um pouco menos novelesco, o que parece meio impossível de não acontecer quando Globo Filmes faz parte da produção. Ainda assim é uma boa pedida para quem está disposto a chorar dentro do cinema.

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb

sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Os Vigaristas

título original: Matchstick Men 
gênero: Policial, Suspense
duração: 01h 56 min
ano de lançamento: 2003
estúdio: Warner Bros.
direção: Ridley Scott
roteiro: Eric Garcia, Nicholas Griffin, Ted Griffin
fotografia: John Mathieson
direção de arte: Tom Foden

Roy é um cara cheio de fobias. Ele e seu sócio Frank são golpistas. Entre um plano e outro, Roy acaba ficando sem seus remédios e precisa ir em busca de um psiquiatra. Ao fazer a terapia acaba descobrindo uma filha adolescente que não sabia que existia.

Roteiro divertido, intrigante e com um bom plot twist no final; mas nada que exploda a cabeça ou coisa do tipo.
O que mais me impressionou foi ver uma boa atuação de Nicolas Cage - o que não é muito comum já que o atuar parece fazer sempre mais do mesmo - seus tiques são muito bem construídos e garantem um nível de aflição e risadas ao mesmo tempo.
Mas o que impressiona é Alison Lohman, que na época com 24 anos interpretou alguém com 10 anos menos - e convenceu!

Pode ser um bom passatempo para qualquer hora.
CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Casa Grande

gênero: Drama
duração: 01h 55 min
ano de lançamento: 2014
estúdio: Migdal Filmes
direção: Fellipe Barbosa
roteiro: Fellipe Barbosa, Karen Sztajnberg
fotografia: Pedro Sotero
direção de arte: Ana Paula Cardoso

Jean é um adolescente vindo de uma família da classe alta carioca, enquanto seus pais tentam esconder a falência, os empregados têm de lidar com suas demissões e Jean começa e enxergar as contradições em sua casa.

Apesar de ser anterior ao "Que Horas ela Volta?" eu diria que esse filme é uma visão de uma história similar só que contada do ponto de vista dos patrões, ainda que tenha a mesma crítica.
Acredito que seja uma tendência crescente no cinema nacional trabalhar a real sociedade brasileira, não estereotipando apenas em comunidades pobres ou vendo com os olhos das novelas, completamente irreais. E é um tema necessário para que compreendamos melhor a realidade em que vivemos.
As críticas as disparidades são fáceis de se ver, porém ainda temos temas polêmicos sendo questionados como as cotas - e aqui vi uma possibilidade de se tomar como certo a opinião do personagem que mais convém ao seu modo de ver e não afirmando que algo é certo ou errado.
A fotografia é leve, segue uma linha recente de usar tons mais sépia que me agrada muito. 
O elenco, não decepciona, mas o grupo jovem fica em um nível um pouco abaixo do necessário, em alguns momentos me parece até um pouco teatro de escola. Quem me impressionou foi Marcello Novaes, normalmente em papéis de bom rapaz e camarada, está muito bem no papel de um homem falido que não desce do pedestal, extremamente arrogante.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

A Chegada

título original: Arrival
gênero: Ficção Científica, Suspense, Drama
duração: 01h 56 min
ano de lançamento: 2016
estúdio: 21 Laps Entertainment
direção: Denis Villeneuve
roteiro: Eric Heisserer, Ted Chiang
fotografia: Bradford Young
direção de arte: Patrice Vermette

TEXTO PRODUZIDO PARA CENTRAL42


Doze ovnis em formato de concha surgem em vários pontos do planeta. Os militares norte-americanos entram em contato com a Dra. Louise Banks, uma linguista renomada, para desvendar a linguagem dos extraterrestres em seu primeiro contato. Porém, a resposta pode representar uma ameaça.

Mais uma vez fui ao cinema as cegas, mais uma vez foi a melhor coisa que fiz. Ao assistir ao trailer depois de ver o filme percebi que revela muitas coisas que me surpreenderam durante a exibição e que poderiam ter perdido a graça se tivesse visto antes.

Filmes de ficção científica que retratam o primeiro contato entre humanos e alienígenas é o que não faltam no catálogo cinematográfico. "Sinais", "Contatos Imediatos de Terceiro Grau", "Independence Day", só para citar alguns. Na maioria das vezes os E.T.s são retratados como algo perigoso, muitas vezes o mote principal do filme acaba sendo a guerra entre mundos ou os alienígenas querendo destruir a Terra e acabar com os humanos.

Nessa produção há sim uma suspeita sobre a vinda desses visitantes e uma preocupação com o que irão fazer, o que inclusive constrói um suspense de deixar qualquer um tenso durante toda a projeção. Mas o assunto principal na verdade é sobre diálogo, dois seres diferentes tentando se comunicar; e isso é simplesmente sensacional. Os alienígenas da história servem mais como escada para questionar os relacionamentos entre as sociedades humanas do que para criar conflitos, guerras interplanetárias ou explosões megalomaníacas. Além disso a trama também discute outros assuntos mais científicos que não vou falar para não estragar a surpresa. Ainda assim guardem isso: não é um filme que aborda astronomia, física, ciências em geral, mas política e principalmente linguística, linguagem e diálogo.

Quanto ao elenco temos Forest Whitaker ótimo no papel de um militar preparado e engajado em seu trabalho e Amy Adams e Jeremy Renner entrando completamente no papel de dois acadêmicos tendo contato coisas inimagináveis, a ansiedade e espanto que demonstram ao terem o primeiro contato é quase palpável.

A trilha sonora lembra muito a de "A Origem", mas funciona bem com o estilo do filme então acredito que não seja um ponto negativo ter seguido a moda. A fotografia usa de tons muito sépia e acizentados e abusa de desfoques em cenas de lembranças, tendência que venho observando com bastante frequência no cinema atual - esse estilo pode ser visto no recente "Animais Fantásticos e Onde Habitam" por exemplo, mas acredito que a inspiração pode ter vindo de "Interestelar".

Claro que nem tudo são flores: há uma romantização de alguns momentos que talvez fosse desnecessária dentro de uma trama com outro tipo de profundidade, e como todo filme hollywoodiano que envolve conflitos mundiais os EUA são responsável pelo bom-mocismo enquanto Rússia e China são os impulsivos vilões ( apesar que achei a forma que os chineses encontraram para conversar com os E.T.s genial ).

Ainda assim acredito que esse filme consiga atingir bem todas as classificações na qual se encaixa, é um sci-fi de primeira, constrói um bom suspense e ainda tem uma veia delicada mas marcante de drama. Arrisco dizer que é o melhor ficção-científica do ano.

CLASSIFICAÇÃO: MARAVILHOSO

Poster e Ficha Técnica: IMDb