quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Reza a Lenda

gênero: Aventura, Ação
duração: 01h 27 min
ano de lançamento: 2016
estúdio: Bionica Filmes
direção: Homero Olivetto
roteiro: Homero Olivetto, Patrícia Andrade, Newton Cannito
fotografia: Marcelo Corpanni
direção de arte: Valdy Lopes

Em uma terra sem lei, um bando de motoqueiros cruza as estradas em busca de uma lenda que promete trazer liberdade e chuva ao povo: uma santa que precisa ser colocada no lugar certo. Porém ela está nas mãos do poderoso Tenório que, após perdê-la, promete destruir todo o bando.
Quando vi o trailer desse filme fiquei bem curiosa. Mas ao estrear no cinema ouvi muitas críticas ruins e acabei desanimando. Esses dias peguei passando na TV e resolvi dar uma chance. Devia ter assistido antes.
Tudo bem que o roteiro podia ter sido um pouco melhor elaborado; mesmo assim é um filme que foge de qualquer coisa que já foi produzido no Brasil, atingindo patamares bem inovadores.
Tanto a história quanto sua produção têm, claramente, inspirações nos filmes de faroeste e no clássico "Mad Max". Inclusive vinha sendo divulgado como "Mad Max Brasileiro", o que acho um pouco de exagero.
Sophie Charlotte está bem acima da média que a costumamos ver na TV; Cauã Reymond, Humberto Martins e Luisa Arraes cumprem o esperado mas não impressionam. Agora, Júlio Andrade - como bruxo - pode não aparecer muito mas impressiona.  
Mesmo assim merece receber sua atenção pela trilha sonora, fotografia e direção de primeira. Feitas de forma nunca vista antes no cinema nacional.

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Nerve - Um Jogo Sem Regras

título original: Nerve
gênero: Aventura, Suspense
duração: 01h 36 min
ano de lançamento: 2016
estúdio: Allison Shearmur Productions
direção: Henry Joost, Ariel Schulman
roteiro: Jeanne Ryan, Jessica Sharzer
fotografia: Michael Simmonds
direção de arte: Chris Trujillo

TEXTO PRODUZIDO PARA CENTRAL42

Vee é uma garota tímida que vive à sombra dos amigos. Ao ser desafiada a participar do jogo online NERVE, onde você pode ser um Jogador e aceitar desafios ou ser apenas um Observador, ela sai dos bastidores da vida e assume os merecidos holofotes. Porém, ela acaba formando uma dupla com um garoto, Ian, e conforme eles vão se tornando imbatíveis a situação começa a ficar perigosa.
O filme é baseado no livro homônimo de Jeanne Ryan. Não só por ser uma adaptação, mas o formato da história me lembrou bastante outras séries adolescentes como "Jogos Vorazes" e "Divergente"Jovens envolvidos com jogos e/ou perigos maiores do que a própria estrutura da sociedade.
Entretanto esse tem ares mais relaxados, tendo cenas divertidas e com sua trama inserida na realidade da vida adolescente, e não em um mundo pós apocalíptico ou coisa parecida. Apesar que se nos aprofundarmos no jogo NERVE podemos tirar conclusões bem introspectivas.
A forma como ele é jogado pode parecer exagerado ou até mesmo irreal, mas se pararmos para pensar em como os jovens vêm lidando com as redes sociais e a necessidade de se tornarem famosos, ou ao menos ter 15 minutos de fama, o que é mostrado no filme fica bem mais próximo de nossa realidade.
Quanto ao elenco: as atuações não são muito superiores ao que vemos em "Malhação", serve ao propósito mas não impressiona. Inclusive outra coisa em que se assemelha à novela global, e que é bastante questionável, é ter vários atores acima dos 25 ou quase beirando os 30 interpretando adolescentes. Como alguém pode acreditar que Kimiko Glenn e Samira Wiley (ambas vindas de Orange Is The New Black) tem idade para estar no Ensino Médio?
Ainda sobre as atuações, é triste ver Juliette Lewis reduzida ao papel de uma mãe insignificante. Emma Roberts e Dave Franco constroem uma boa química, mas individualmente não se destacam.
Voltando aos pontos altos temos a fotografia e direção que cravam claramente qual seu público ao conduzir o filme por bate-papos online e video chamadas, não deixando de lado os bugs de vídeos conhecidos dos usuários. Mesmo tendo tomadas de dentro dos computadores, tablets e celulares, nada parece forçado. A tecnologia é intrínseca e quase um terceiro membro dos humanos.
Como entretenimento provavelmente só agradará o público mais jovem, mas se tentarmos vermos os pontos mais profundos do enredo pode acabar agradando a grande maioria.

CLASSIFICAÇÃO: REGULAR

Poster e Ficha Técnica: IMDb

sábado, 20 de agosto de 2016

Caminhando Nas Nuvens

título original: A Walk In The Clouds
gênero: Romance
duração: 01h 42 min
ano de lançamento: 1995
estúdio: Twentieth Century Fox Film Corporation
direção: Alfonso Arau
roteiro:  Robert Mark Kamen, Mark Miller, Harvey Weitzman, Piero Tellini, Cesare Zavattini, Vittorio de Benedetti
fotografia: Emmanuel Lubezki
direção de arte: David Gropman

Paul retorna da guerra para os braços da esposa que mal conhece por terem se conhecido e casado três dias antes dele partir para o front. Ele parte em uma viagem de negócios, pensando nas diferenças existentes entre eles, no caminho conhece uma moça, Vitória, que está retornando para a casa dos pais preocupada com a reação do pai quando descobrir que está grávida. Ele decide, então, ajudá-la fingindo ser seu marido.

O roteiro tem tantos clichês que eu prefiro nem listar se não contaria o filme todo. Situações impulsivas entre completos estranhos, difíceis de acontecer hoje em dia imagine então há 70 anos atrás; reviravoltas previsíveis e paixonites agudas.
Keanu Reeves e Aitana Sánchez-Gijón parecem dois bonecos de cera em suas atuações, Giancarlo Giannini está muito caricato e exagerado, o único que parece com uma pessoa normal é Anthony Quinn.
O ponto alto do filme é fotografia, muito bonita, apesar de claramente muito retocada na pós-produção.

Só assista se for do tipo que gosta de muito açúcar.

CLASSIFICAÇÃO: RUIM

Poster e Ficha Técnica: IMDb

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Vidas Secas

gênero: Drama
duração: 01h 43 min
ano de lançamento: 1963
estúdio: Luiz Carlos Barreto Produções Cinematográficas
direção: Nelson Pereira dos Santos
roteiro:   Nelson Pereira dos Santos, Graciliano Ramos
fotografia: Luiz Carlos Barreto, José Rosa

Fabiano, Vitória, seus dois filhos e a cachorra baleia peregrinam pelo sertão brasileiro tentando sobreviver.
O filme é baseado na obra, de mesmo nome, de Graciliano Ramos. Acho importante relatar minha experiência com o livro antes, para que tudo fique bem contextualizado. Esse livro foi leitura obrigatória na minha 6ª série e só posso afirmar uma coisa: não é texto para crianças de 12/13 anos. A única lembrança que tenho é que odiei e foi muito cansativo.

Voltando ao filme, Nelson Pereira dos Santos conseguiu fazer uma ótima releitura para o cinema desse clássico nacional. Temos aqui uma obra crua e realista que mostra de forma sincera as dificuldades do povo sertanejo. Tudo é retratado de forma tão natural que parece até ser apenas uma câmera acompanhando uma família de retirantes, e não uma ficção. 
A ausência de trilha sonora faz com que tudo fique ainda mais dolorido. Principalmente o clímax da história, envolvendo baleia.
Deixemos claro que os pontos que acabei de elogiar também pode tornar o filme um pouco arrastado e cansativo.

Não acredito que seja apenas obrigatório de assistir por se tratar de um divisor de águas no cinema nacional, mas por retratar de verdade uma parcela da realidade brasileira.
Quanto ao livro, fiquei com vontade de relê-lo após assistir ao filme.

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Ben-Hur 2016

título original: Ben-Hur
gênero: Épico, Aventura, Drama
duração: 02h 03 min
ano de lançamento: 2016
estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
direção: Timur Bekmambetov
roteiro:  Lew Wallace, Keith R. Clarke, John Ridley
fotografia: Oliver Wood
direção de arte: Naomi Shohan

TEXTO PRODUZIDO PARA CENTRAL42

Baseado no livro homônimo de Lew Wallace, escrito em 1880, o filme conta a história de Judah Ben-Hur, um príncipe judeu contemporâneo a Jesus Cristo, que se torna escravo após ser traído pelo melhor amigo, Messala. Ben-Hur começa, então, uma longa jornada em busca de vingança e justiça.
Existem algumas versões dessa história para o cinema, a mais conhecida é a de 1959 com Charlton Heston no papel principal e que levou nada menos que 11 Oscars. Muitos consideram a nova produção de 2016 como um remake, entretanto acredito que não devemos ver dessa forma.
Por que? Simples. A história é a mesma? Sim, afinal são baseadas na mesma fonte. Porém, a forma como a trama é conduzida é bem diferente. Se trata do mesmo filme, mas não é apenas um remake, é uma criação própria. 
Mesmo assim, para quem viu o antigo, fica difícil não fazer comparações, por isso vou listar algumas diferenças no decorrer do texto.
No filme de 1959 temos uma história com 3h30 de duração, um pouco arrastada e com uma boa parte da trama dedicada ao romance entre Judah e Esther. Ilderim, mestre de Ben-Hur, funciona quase como um alívio cômico. Também, antes da corrida principal de bigas, há todo o trajeto de Ben-Hur como corredor, inclusive se tornando um dos mais famosos.
Já na produção de 2016 o roteiro ganha um ritmo melhor, conseguindo reduzir em 1h30 o filme ao focar em outros pontos da construção do enredo. Como, por exemplo, um maior foco na amizade entre Judah e Messala, relatada desde antes deste virar um tribuno militar, e também a relação do personagem principal com Jesus Cristo 
- que ganhou mais espaço na história. Quanto a Ben-Hur como corredor, é apenas mostrado seu treinamento para a corrida principal, nada dá a entender que ele se tornou um profissional como no filme anterior.
Ainda contrapondo os filmes: não é à toa que o antigo ganhou tantos Oscars, foi uma produção megalomaníaca que garantiu seu lugar entre os clássicos. Hoje em dia, com todas as opções de pós-produção que temos, podemos acabar por desmerecer essa nova versão acreditando que tudo é feito digitalmente, mas aí que nos enganamos - grande parte do filme foi feito em locações, inclusive as cenas da crucificação e da corrida de bigas.
Em relação ao elenco, merece destaque o trio principal. Tobby Kebbell consegue passar, de forma controlada, um rancor enrustido pelas diferenças culturais existente entre Messala (romano) e a família Ben-Hur (judeus). Jack Huston, como disse em coletiva, se afastou da figura heróica que Charlton Heston construiu, mostrando mais a transformação que Ben-Hur passa de um menino para um homem. E, por incrível que pareça, Morgan Freeman não se destaca muito, o que não quer dizer que esteja mal, só não rouba a cena como de costume.
Rodrigo Santoro, prata da casa, merece um parágrafo só dele. Apesar da participação maior de Jesus nesse filme, ele deve aparecer em uns 20 minutos do filme.  Para quem se lembra, no filme de 1959, Jesus não fala, nem ao menos mostra o rosto. Nesse, ele cria um elo com Ben-Hur. O personagem foi construído de forma simples, na intenção de mostrar um homem de carne e osso com uma bela mensagem, uma figura mais acessível. Arrisco dizer que é uma das melhores interpretações de Jesus que já vi, mesmo para quem não é religioso fica difícil não se emocionar nas cenas da Via Crucis e da Crucificação.
O único ponto que poderia ser melhor foi a escolha da trilha sonora, ao optar por músicas mais modernas acredito que perderam a chance de enfatizar o estilo épico do filme, o qual seria melhor construído com músicas instrumentais.
Finalmente, o que posso concluir é que é uma produção de primeira, com cenas de ação de deixar qualquer um de boca aberta, que mesmo contando uma história já conhecida conseguiu inovar contando-a de outra forma e, com certeza, superou o fantasma do remake ao construir um novo filme e não uma repetição.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb