quinta-feira, 16 de março de 2017

Moonlight: Sob a Luz do Luar

título original: Moonlight
gênero: Drama
duração: 1h 51 min
ano de lançamento: 2016
estúdio: A24
direção: Barry Jenkins
roteiro: Barry Jenkins, Tarell Alvin McCraney
fotografia: James Laxton
direção de arte: Hannah Beachler

Chiron é um garoto introvertido e fechado. Criado por uma mãe viciada em drogas e com questões em relação a sua sexualidade, ele encontra apoio em lugares inesperados.
É lindo ver um filme com elenco majoritariamente negro, e a outra parcela composta por latinos, com uma boa parcela da produção - incluindo os principais cargos de diretor e roteirista - também composta por negros, e com um baixo custo de produção para os padrões hollywoodianos ganhar o destaque que esse filme ganhou e ainda levar a estatueta de Melhor Filme do Oscar.
Sim, podemos até questionar se a quantidade de indicações a negros esse ano e esse prêmio em especial não tiveram influência das manifestações na festa do ano passado. Mas uma coisa não podemos questionar, o show de interpretações desses atores e a seriedade do roteiro desse filme.
Pode ser um roteiro talvez visto por alguns como estereotipado por trabalho a questão periférica? Talvez, mas não podemos esquecer que essa é uma realidade para muitos. 
A quebra de paradigmas acontece quando você vê, em um meio onde todos tem de se mostrar viris e fortes, um garoto não sabendo como lidar com suas dúvidas e sua forma de existir. 
Outro ponto é o personagem do traficante Juan, interpretado por Mahershala Ali e justamente premiado por esse trabalho, que por mais que apareça pouco no filme com um todo, nos mostra um bandido de bom coração, um cara que apesar de todos os seus defeitos, consegue ser a melhor referência e melhor porto seguro para essa criança. Peço atenção ao último diálogo que ocorre entre eles, foi essa cena que selou seu prêmio como melhor ator coadjuvante.
A fotografia é linda, principalmente nas cenas de campo aberto. O jogo de cores é incrível. Soube-se fazer um trabalho que valorizasse ainda mais a pele negra em cena. 
A trilha sonora trabalha com estilos muito diferentes, inclusive não se surpreenda ao se deparar com Caetano Veloso no meio do filme.
O filme te deixa com aquele ponto de interrogação: haveria como uma criança, nesse meio e com essas referências, ter um sonho melhor do que o auge da sua vida ser se tornar o dono da boca? Como, nessa posição, ele poderia se assumir gay?
Há uma sequência específica na fase adolescente de Chiron que mexeu profundamente comigo e que considero o ponto auge e mais triste do filme. Mas também foi, no final das contas, a única sequência que realmente me impactou.
Respeito muito todo o trabalho que foi feito aqui, e mesmo achando um filme impressionante, em alguns aspectos saí da sala com um gostinho de esperava mais. Todo o bafafá em cima dele me fez criar expectativas muito altas que, mesmo o filme sendo marcante, não foram atingidas em sua completude. 
Ainda assim, acredito ser um filme necessário na atual conjuntura mundial e uma obra extremamente política.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

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