quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Boi Neon

gênero: Drama
duração: 1h 41 min
ano de lançamento: 2015
estúdio: Desvia Filmes
direção: Gabriel Mascaro
roteiro: Gabriel Mascaro
fotografia: Diego García

Iremar é um vaqueiro, dono de curral, que viaja o Nordeste brasileiro trabalhando em vaquejadas enquanto sonha em se tornar estilista.
Muito ouvi falar desse filme, principalmente na coletiva de imprensa de "Aquarius" onde o filme foi muito elogiado por Kleber Mendonça Filho. Assim, minha expectativa só foi crescendo.
Antes de começar a minha análise gostaria de deixar claro que os pontos que levantarei são suposições minhas que valorizam o filme, por não saber se era essa a intenção do diretor minha classificação final ficará abaixo do que o texto dará a entender.
Tive a oportunidade ontem de assistir quando peguei passando por acaso no CanalBrasil. Já sabendo de antemão que a produção era lenta e um tanto silenciosa, consegui me adaptar bem ao ritmo, mas acredito que para muitos essas características se tornarão pontos negativos, porém considero esses aspectos importantes para a condução da trama. 
A trama não tem exatamente começo-meio-fim, parece mais que começamos e paramos de acompanhar a rotina dessas pessoas em momentos aleatórios. Temos aqui pontos interessantes de se observar: a vida dentro de uma rotina constante e imutável como grande parte da vida comum da população, sem reviravoltas ou superações grandiosas; o sonho do personagem principal em se tornar algo extremamente fora de sua rotina e a crítica que isso traz à meritocracia; também pode-se trazer a questão da vaquejada que ficou muito em pauta no último ano.
A fotografia é serena ao mesmo tempo que um pouco deprimente, mais um reforço a linha de existência dos personagens.
O elenco trabalha de forma coerente, reforçando o vazio existencial de seus personagens. Minha única crítica seria mais sobre a dicção da atriz mirim que interpreta Cacá, não consegui entender uma única palavra do que a menina disse durante todo o filme.
Se toda a minha interpretação estiver correta, por mais que arrastado, o filme faz uma boa interpretação de uma parcela da sociedade que não tem espaço de representação nem de fala na mídia.
O meu maior problema com o filme foram as cenas de sexo. Sem puritanismo, acredito que ainda que explícitas, se bem colocadas na trama, essas cenas são coerentes (vide algumas cenas chocantes em "Aquarius" que estão em total consonância com a história). Porém o que temos aqui são cenas aleatórias, jogadas no meio do enredo e que tomam um bom espaço em certas sequências. Ok, sexo é algo rotineiro e assim podem ser vistas essas cenas? Sim. Ainda assim acho questionável pela questão de ser um filme para exportação e o Brasil já é visto de forma muito sexualizada no exterior, entendo então que cenas desse tipo só ajudam a reforçar certos preconceitos.
Ainda assim, creio que a última cena de sexo [/SPOILER]  onde Iremar transa com a grávida na fábrica têxtil pode ser vista como uma metáfora para o desejo do personagem principal em se inserir nesse mercado e que aquele seria seu único e maior contato - seu êxtase - com a área. [\SPOILER]

CLASSIFICAÇÃO: REGULAR

Poster e Ficha Técnica: IMDb

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