sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Espelho, Espelho Meu

título original: Mirror Mirror
gênero: Fantasia, Comédia
duração: 1h 46 min
ano de lançamento: 2012
estúdio: Relativity Media
direção: Tarsem Singh
roteiro: Marc Klein, Jason Keller, Melisa Wallack
fotografia: Brendan Galvin
direção de arte: Tom Foden

Nessa releitura da história de Branca de Neve a madrasta matou o rei e a protagonista se unirá a sete anões prontos pra briga para recuperar seu reino.
O roteiro, renovando vários pontos desse clássico, não chega a impressionar mas agrada em vários pontos: o príncipe meio bobalhão e os anões como ladrões da floresta foram os pontos principais pra mim.
A direção e fotografia me remeteram um pouco a um estilo que vem sendo muito usado nessas novas roupagens de contos de fada, como o usado em "A Garota da Capa Vermelha".
Julia Roberts e Armie Hammer seguram as pontas no quesito atuação, entretém, divertem, fazem o necessário. Lily Collins coube bem ao papel de princesa, mas pesa um pouco a mão no ar de boazinha/sonsa e acaba parecendo um pouco inexpressiva.
Não é um filme para se programar para assistir, mas se pegar passando na TV (como foi meu caso) pode ser um bom passatempo.
Ah! E ainda tem cena estilo Bollywood no final.

CLASSIFICAÇÃO: REGULAR

Poster e Ficha Técnica: IMDb

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Boi Neon

gênero: Drama
duração: 1h 41 min
ano de lançamento: 2015
estúdio: Desvia Filmes
direção: Gabriel Mascaro
roteiro: Gabriel Mascaro
fotografia: Diego García

Iremar é um vaqueiro, dono de curral, que viaja o Nordeste brasileiro trabalhando em vaquejadas enquanto sonha em se tornar estilista.
Muito ouvi falar desse filme, principalmente na coletiva de imprensa de "Aquarius" onde o filme foi muito elogiado por Kleber Mendonça Filho. Assim, minha expectativa só foi crescendo.
Antes de começar a minha análise gostaria de deixar claro que os pontos que levantarei são suposições minhas que valorizam o filme, por não saber se era essa a intenção do diretor minha classificação final ficará abaixo do que o texto dará a entender.
Tive a oportunidade ontem de assistir quando peguei passando por acaso no CanalBrasil. Já sabendo de antemão que a produção era lenta e um tanto silenciosa, consegui me adaptar bem ao ritmo, mas acredito que para muitos essas características se tornarão pontos negativos, porém considero esses aspectos importantes para a condução da trama. 
A trama não tem exatamente começo-meio-fim, parece mais que começamos e paramos de acompanhar a rotina dessas pessoas em momentos aleatórios. Temos aqui pontos interessantes de se observar: a vida dentro de uma rotina constante e imutável como grande parte da vida comum da população, sem reviravoltas ou superações grandiosas; o sonho do personagem principal em se tornar algo extremamente fora de sua rotina e a crítica que isso traz à meritocracia; também pode-se trazer a questão da vaquejada que ficou muito em pauta no último ano.
A fotografia é serena ao mesmo tempo que um pouco deprimente, mais um reforço a linha de existência dos personagens.
O elenco trabalha de forma coerente, reforçando o vazio existencial de seus personagens. Minha única crítica seria mais sobre a dicção da atriz mirim que interpreta Cacá, não consegui entender uma única palavra do que a menina disse durante todo o filme.
Se toda a minha interpretação estiver correta, por mais que arrastado, o filme faz uma boa interpretação de uma parcela da sociedade que não tem espaço de representação nem de fala na mídia.
O meu maior problema com o filme foram as cenas de sexo. Sem puritanismo, acredito que ainda que explícitas, se bem colocadas na trama, essas cenas são coerentes (vide algumas cenas chocantes em "Aquarius" que estão em total consonância com a história). Porém o que temos aqui são cenas aleatórias, jogadas no meio do enredo e que tomam um bom espaço em certas sequências. Ok, sexo é algo rotineiro e assim podem ser vistas essas cenas? Sim. Ainda assim acho questionável pela questão de ser um filme para exportação e o Brasil já é visto de forma muito sexualizada no exterior, entendo então que cenas desse tipo só ajudam a reforçar certos preconceitos.
Ainda assim, creio que a última cena de sexo [/SPOILER]  onde Iremar transa com a grávida na fábrica têxtil pode ser vista como uma metáfora para o desejo do personagem principal em se inserir nesse mercado e que aquele seria seu único e maior contato - seu êxtase - com a área. [\SPOILER]

CLASSIFICAÇÃO: REGULAR

Poster e Ficha Técnica: IMDb

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Rogue One: Uma História Star Wars

título original: Rogue One: A Star Wars Story
gênero: Ficção Científica, Aventura, Ação
duração: 2h 13 min
ano de lançamento: 2016
estúdio: Lucasfilm
direção: Gareth Edwards
roteiro: Chris Weitz, Tony Gilroy , John Knoll, Gary Whitta, George Lucas
fotografia: Greig Fraser
direção de arte: Doug Chiang, Neil Lamont

Na infância Jyn tem que se afastar dois pais para sobreviver quando seu pai, Galen, é capturado pelo Império para construir uma super arma. Anos depois, após ter que se virar sozinha por muito tempo, Jyn é resgatada pela Aliança Rebelde que deseja que ela recupere uma mensagem enviada para o rebelde que a criou, Saw Gerrera, com a promessa de ser libertada ao final da missão.
O que temos aqui é um filme derivado de Star Wars que não faz parte da história principal, mas que preenche a lacuna existente entre "Star Wars III: A vingança dos Sith" e "Star Wars IV: Uma Nova Esperança". E o faz da maneira certa. Sim, a Disney quer lucrar horrores com Star Wars e vai lançar um filme por ano, também já declarou que pode não levar a sério os cânones da série. Ainda assim isso não atrapalhou com que esse spin-off tivesse sucesso em sua execução. 
Não é um roteiro produzido para que haja um Rogue One 2 - e nem havia como dada a história já existente, mas partindo de um estúdio de finais felizes é surpreendente (de uma forma boa) o final que temos aqui.
Ainda sobre o roteiro, após um "Star Wars VII: O Despertar da Força" que é bom mas com mais saudosismo para fãs do que preso as origens, é agradável ver um roteiro que foca mais na veia política da série. 
O elenco é diversificado e acredito ser esse o grande trunfo do filme, o núcleo principal da história conta com negro, mexicano, japonês, mulher, deficiente visual, enfim. É uma mistura tão natural e que se encaixa tão bem na trama que soa até absurdo a necessidade de reinvindicacão para que haja maior diversificação nos filmes.
A produção é lotada de easter eggs dos outros filmes, acaba se tornando uma caça ao tesouro para achar detalhes de vestimentas, naves, robôs, e.t.s dos outros filmes. A direção de arte e os efeitos especiais são muito bem executados mas trazem o estilo dos primeiros filmes de volta.
Peço atenção, por fim, a sequência final do filme que é de arrepiar, principalmente se você assistir logo em seguida o início do IV. Ainda mais a maquiagem digital usada que poderá fazer brotar algumas lágrimas.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Invasão Zumbi

título original: Busanhaeng (Train to Busan)
gênero: Terror, Ação
duração: 1h 58 min
ano de lançamento: 2016
direção: Sang-ho Yeon
roteiro: Sang-ho Yeon
fotografia: Hyung-deok Lee

Sok-woo embarca no trem que faz o trajeto Seoul-Busan para levar sua filha ao encontro da mãe. Mas, logo no começo da viagem o trem é invadido por zumbis que passam a atacar os passageiros de tripulação. As cidades que ficam no trajeto também estão contaminadas e, enquanto a viagem ocorre, os sobreviventes precisam lutar por suas vidas.
Eu não gosto de nada que envolva zumbis, também não sou muito fã de filmes orientais. Mas como estou com uma amiga que mora longe visitando e ela insistiu muito, decidi dar uma chance. Lógico que os fatores de ser coreano (tive uma boa experiência com o único filme que vi do país : "Oldboy") e ter sido muito bem recebido em Cannes também ajudaram.
O roteiro não tem nada de profundo, basicamente são quase duas horas de seres humanos comuns tentando sobreviver a um ataque zumbi. Ainda assim a personalidade dos personagens, por mais comuns que sejam, conseguem ganhar a empatia e a identificação do público.
Outro ponto da história que acho válido perceber é que não se trata de um filme de "susto" - não que não tenham seus momentos - mas trabalha muito mais aspectos de filmes de ação. A trama te deixa agitado do começo ao fim, nenhum minuto de sossego é dado, é susto atrás de susto, nervoso atrás de nervoso. Além disso o roteiro ainda consegue trabalhar muito bem alguns momentos dramáticos extremamente emotivos.
Quanto aos zumbis, por mais que não tenha muito conhecimento na área, nunca vi transformações impactantes como essas, tão pouco mortos-vivos tão ágeis. Atenção às cenas em que eles aparecem em multidões - são de arrepiar.
Os efeitos especiais são bons, uma ou outra cena rápida percebe-se o cromaqui ao fundo, mas nada que prejudique. O que chamou mais minha atenção é uma cena quase ao final envolvendo um trem - quem assistir saberá do que estou falando - não dá pra identificar efeitos visuais e se aquilo foi ensaiado é de cair o queixo.
Enfim, não entrou pra minha lista de favoritos porque continua sendo um gênero que não me atrai muito, mas tive a certeza que meu coração está muito saudável e que poderia praticar o esporte de pular poltronas no susto. Fui assistir na última sessão da noite e tive que tomar chá de camomila ao chegar em casa para conseguir dormir, portanto, propósito atingido.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

quinta-feira, 5 de janeiro de 2017

Moana

título original: Moana
gênero: Animação, Aventura
duração: 1h 47 min
ano de lançamento: 2016
estúdio: Walt Disney Animation Studios
direção: Ron Clements, Don Hall, John Musker, Chris Williams
roteiro: Jared Bush, Ron Clements, Don Hall, John Musker, Chris Williams, Pamela Ribon, Aaron Kandell, Jordan Kandell
direção de arte: Ian Gooding

TEXTO PRODUZIDO PARA CENTRAL 42

Antes de falar do filme um breve parágrafo sobre o curta que passa antes do filme, Trabalho Interno. Na história vemos o organismo de um homem funcionando durante sua rotina, mas de uma maneira criativa e que traz uma provocação sobre como vivemos no automático. Então, não chegue atrasado à sessão se não pode acabar perdendo essa pequena preciosidade.

Quanto ao filme principal: Moana é uma jovem aventureira, filha do chefe de uma tribo da Polinésia. Quando as plantas começam a secar e os bichos a sumir, ela decide enfrentar o mar e buscar ajuda para que as coisas voltem ao normal, com ajuda do semideus Maiu ela enfrentará criaturas perigosas e desbravará lugares desconhecidos. Mesmo tendo 1h47 de duração, confesso que sai da sala com a sensação de ter passado mais tempo, talvez tenha muita informação de uma única vez, o que prolonga a sensação de tempo. Ainda assim, acredito que não seja algo que prejudique o filme, na cabine em que fui - lotada de crianças - elas permaneceram atentas todo o tempo, sem demonstrarem em alto e bom som cansaço em nenhum momento.

O roteiro trata basicamente da Jornada do Herói, os adultos podem enxergar aqui algumas semelhanças com as histórias de Hércules e A Odisséia; a novidade é que temos no papel principal uma mulher. Isso ainda é contado através de uma cultura diferente da ocidental, dominante nas produções cinematográficas, o que introduz um novo mundo e uma empatia com o que é diferente.

Além disso, pela primeira vez na história da Disney, temos um filme de "princesa" onde é reforçado durante toda a projeção que, por mais que ela seja filha do chefe da tribo, Moana é uma guerreira e não uma princesa. Podem ter certeza, isso terá um impacto muito grande na forma das meninas verem o mundo e pode atrair mais meninos para os filmes "de princesa". Essa tendência, que começou com "Valente", cresceu muito nesse filme e tende a crescer ainda mais.

Moana é uma figura forte e cativante (como uma principal tem que ser); a avó Tala segue os passos do que seria o mestre ou mentor dentro da Jornada do Herói (atenção as cenas que envolvem essa personagem e arraias, são de arrepiar); Maiu, o semideus, tem a prepotência necessária para trazer o alívio cômico aos adultos; o galo Heihei tem a responsabilidade de fazer as crianças rirem (inclusive, tiraram esse galo do "Tá Dando Onda"?); e a deusa Te Fiti, por mais que apareça pouco, insere na história a força da deusa natureza e passa a mensagem ecológica coerente com a trama e necessária nos dias atuais.

As músicas são agradáveis, encaixam muito bem no estilo do filme (a sequência musical com os ancestrais me lembrou um pouco "Pocahontas") e a música tema de Moana com certeza grudará na cabeça, arrisco dizer que será o sucessor de "Let It Go".

Em relação ao gráfico, não há outra palavra a não ser maravilhoso para descrever. As paisagens, a água e as plantas beiram o real; nunca vi marcas de expressão e cabelos tão bem feitos em personagens 3D, até mesmo as tatuagens dos personagens trazem o leve relevo que a tinta deixa na pele. Ainda por cima a produção conseguiu mesclar cenas quase realistas com outras um tanto quanto psicodélicas, além de uma sequência em que o desenho 3D interage com desenhos 2D de forma muito harmônica. Inclusive há uma sequência com os piratas kakamora que mudo de nome se não foi inspirado em uma certa sequência de "Mad Max: Estrada da Fúria".

Sem sombra de dúvidas é a melhor animação do ano, uma produção que diverte, tem ação, aventura e MUITA emoção (não necessariamente cenas tristes, mas que fazem as lágrimas pular longe dos olhos). Feito para todo tipo de público. Ah! E tem cena pós-crédito, não seja apressadinho em sair da sala.


CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

quarta-feira, 4 de janeiro de 2017

Animais Noturnos

título original: Nocturnal Animals
gênero: Drama, Suspense
duração: 1h 56 min
ano de lançamento: 2016
estúdio: Universal Pictures
direção: Tom Ford
roteiro: Tom Ford, Austin Wright
fotografia: Seamus McGarvey
direção de arte: Shane Valentino

TEXTO PRODUZIDO PARA CENTRAL42


Susan, uma curadora de arte bem sucedida, está passando por uma crise em seu relacionamento. Em meio a essa turbulência ela recebe o manuscrito do novo livro de seu ex-marido, dedicado a ela. Ao ir lendo a trágica história passa a pensar o porque daquela dedicatória e a rever os passos de sua vida.
Esse filme é uma adaptação do livro Tom & Susan de Austin Wright. A trama se desenvolve em duas histórias: a do livro e a da vida de Susan - essa dividida ainda em presente e passado. Isso talvez possa deixar, pelo menos a princípio, as coisas um pouquinho confusas. Mas aos poucos tudo se ajeita e as linhas cronológicas paralelas não atrapalham o entendimento. O roteiro é denso, trabalha sentimentos profundos e repugnantes de uma forma atraente.
E isso é ainda mais exaltado por uma fotografia incrível - as cores e os ambientes deixam tudo meio estéril mas ao mesmo tempo refinado e inatingível - e uma ausência de trilha sonora que intensifica os sentimentos propostos, tendência que venho observando bastante no cinema atual, a falta de música bem trabalhada consegue trazer mais resultados do que música constante só para não deixar o vazio.
Voltando a fotografia, na parte em que é contada a história do manuscrito algo ali me remeteu muito a "Onde os fracos não têm vez", não sei se por se passar em uma região desértica, pelas cores escolhidas ou pela atuação de Michael Shannon - inclusive, construindo o papel com tanta qualidade e realidade que o caráter dele fica dúbio.
Ainda sobre o o elenco temos Amy Adams e Jake Gyllenhaal no que arrisco chamar de melhor momento de suas carreiras, ambos vêm pegando uma sequência de filmes arrebatadores. Amy, concisa, fria e ainda assim muito expressiva. Jake, sentimental e a flor da pele o tempo todo, deixando bem claro que está dando tudo de si. A escolha de Isla Fischer como esposa da versão literária de Jake foi uma ótima opção, afinal ela e Amy são muito parecidas fisicamente, deixando claro ali a ligação da história real entre Susan e seu ex-marido e o casal da obra. A única escolha que questionaria seria a de Armie Hammer, que traz a beleza necessária ao personagem mas peca um pouco na atuação robótica.
Peço atenção a sequência de abertura do filme que vem para chocar os desavisados, deixando claro que não se trata de mais um filme comum, ao mostrar um grupo de cheerleaders obesas dançando nuas.
Talvez não seja um filme para todos, tem uma carga emocional pesada e cenas fortes, além de um final um pouco duvidoso. Mesmo assim é uma obra surpreendente e que com certeza trará ainda mais destaque para o trabalho de Tom Ford.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb