quinta-feira, 20 de abril de 2017

O Experimento de Aprisionamento de Stanford

título original: The Stanford Prision Experiment
gênero: Drama
duração: 02h 02 min
ano de lançamento: 2005
estúdio:  Coup d'Etat Films
direção:  Kyle Patrick Alvarez
roteiro:  Tim Talbott, Philip Zimbardo
fotografia: Jas Shelton
direção de arte: Gary Barbosa

O professor de psicologia Philip Zimbardo decide aproveitar as férias de Stanford para conduzir um experimento onde deseja comprovar que os traços de personalidade de prisioneiros e policiais definem suas relações. Ao selecionar 24 alunos para passar 2 semanas em uma simulação de cadeia ele os divide aleatoriamente nos grupos. Mas, em pouco tempo, verá que a influência do ambiente e do poder é muito maior do que o imaginado.
Em 2001 esses caso real já havia sido transformado em filme na Alemanha, chama "A Experiência" e é um dos melhores filmes que já vi na história, portanto recomenda que assista ele antes de assistir a esse filme. 
A questão é que o filme alemão leva mais para um lado ficcional, não vinculando tanto ao caso real, apenas ao cerne da questão. Vemos naquela obra um maior desenvolvimento das questões dos participantes.
O interessante nessa produção é que eles abordam bastante também o envolvimento dos pesquisadores com o objeto de pesquisa e como este afetou também quem não estava dentro do experimento.

Peço que deem bastante atenção as interpretações de Ezra Miller, que por que permaneça pouco na trama leva tudo ao extremo, e Michael Angarano que realmente veste a camisa do personagem, e do personagem do personagem.
Minha maior crítica a esse filme é a maquiagem. Como se passa nos anos 70 fizeram com que o elenco ostentasse cabelos e bigodes clássicos da época, o problema é que está extremamente visível que são falsos.
Ainda assim o filme cumpre a função de passar a tensão do experimento e o suspense que o envolve de como aquilo terminará.

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb


quarta-feira, 19 de abril de 2017

Os 33

título original: The 33
gênero:  Drama
duração: 2h 07 min 
ano de lançamento: 2015
estúdio: Alcon Entertainment
direção: Patricia Riggen
roteiro: Mikko Alanne, Craig Borten,Michael Thomas, Jose Rivera, Hector Tobar
fotografia: Checco Varese
direção de arte: Marco Niro

Uma mina desmorona em Capiapó, Chile, deixando 33 mineiros presos a 700 metros de profundidade. Enfrentando grandes dificuldades técnicas, o Ministro de Energia faz o possível para localizá-los e resgatá-los com vida, enquanto lida com familiares angustiados.
O roteiro conta um caso real ocorrido em 2010, para quem acompanhou as notícias na época já sabe o final do filme, o que ajuda a aliviar um pouco a carga de tensão. Temos aqui uma daquelas histórias que se contássemos a alguém que não soubesse do caso real provavelmente acharia piegas e forçada. Mas é verdadeira e com certeza irá emocionar e muito.
Ainda assim tem alguns pequenos detalhes que me incomodaram bastante. 
Não sei se o filme foi produzido direto para TV, mas a fotografia passa essa impressão. O estilo de filmagem, a iluminação parecem muito de produções para TV. Quando parece que o filme vai ganhar um toque mais artístico (logo que os mineiros são soterrados e só se iluminam com as luzes dos capacetes) eles dão um jeito de colocar uma luz mais homogênea que mata a beleza da cena.
Outro ponto é o elenco. Por se tratar de uma produção com parceria entre Chile e EUA com certeza tentaram selecionar atores internacionais de vários países para chamar a atenção em seus locais de origem. Mas isso trouxe uma questão ao filme que me deixou bem incomodada: os sotaques. Ao escolherem fazer o filme em inglês (o que é outro erro pois deveria ter sido feito em espanhol) temos uma batalha de formas de pronunciar o inglês terrível. O elenco conta com atores: americanos, brasileiros, espanhóis, cubanos, mexicanos, colombianos, irlandeses e até filipinos. Virou uma torre de Babel que acaba desconcentrando o telespectador.
Sim, a história foi contada com a emoção necessária, mas os detalhes errados roubam a cena.


CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb


terça-feira, 18 de abril de 2017

Logan

título original: Logan
gênero: Ação, Drama
duração: 2h 21 min
ano de lançamento: 2017
estúdio: Marvel Entertainment
direção: James Mangold
roteiro: James Mangold, Scott Frank, Michael Green
fotografia: John Mathieson
direção de arte: François Audouy

Um cansado Logan e um doente Professor Xavier se escondem na fronteira do México em um futuro não muito distante. Mas seu esconderijo é descoberto e sua paz vai embora quando ele é procurado por uma jovem mutante em apuros.
Fui ao cinema esperando mais um daqueles filmes do X-Men, que vamos combinar que já deu há uns 3 filmes atrás. e me surpreendi.
Com certeza grande parte das pessoas que foram assistir esperavam por um filme de super-herói. Não que não seja, mas é muito mais um filme de personagem em toda sua profundidade.

Esquece super-herói ou qualquer coisa do tipo para ver esse filme, por favor. Vá com a cabeça de um drama, de um filme que questiona nossa existência e o que importa realmente em nossas vidas. Vá com a cabeça preparada para ver um homem indestrutível em seu interior, com suas emoções expostas.
Vá também preparado para ver Wolverine, finalmente, em todo seu potencial. O filme faz valer sua classificação 16 anos e espirra sangue de todas as maneiras possíveis.
Temos Patrick Stewart e Hugh Jackman se entregando de tal forma ao personagem que será impossível ver seus personagens com outros atores no futuro e achar ok.
A fotografia e direção trazem um ambiente mais soturno e sério, características que o roteiro exige. A trilha sonora é uma das melhores que já vi em um filme do gênero.
Único ponto que faltou para mim foi uma carga emocional em dois pontos do filme feitos para levar o telespectador as lágrimas, o que não aconteceu comigo.
Talvez esse filme tenha aberto as portas para uma nova roupagem para o gênero super-herói, o que vem se fazendo necessário.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Fica Técnica: IMDb


segunda-feira, 17 de abril de 2017

Fragmentado

título original: Split
gênero: Suspense, Terror
duração: 1h 57 min
ano de lançamento: 2016
estúdio: Blinding Edge Pictures
direção: M. Night Shyamalan
roteiro: M. Night Shyamalan
fotografia: Mike Gioulakis
direção de arte: Mara LePere-Schloop

Kevin convive com 23 personalidades em seu corpo. Com a ajuda da Dra. Karen ele consegue mantê-las sob controle. Porém, certo dia, ele sequestra três adolescentes que, enquanto aprisionadas, passam a conhecer várias dessas personalidades.
Eu sempre espero muito do diretor M. Night Shyamalan e até o momento ele não me decepcionou. Porém, ouvi falar tanto desse filme e, conhecendo o trabalho do diretor, esperava que houvesse um plot twist absurdo - o que me levou a passar a sessão toda caçando sinais da possível revelação. Aqui fica o primeiro conselho: não faça isso, deixe essa possibilidade de lado. Eu saí do filme com várias teorias incríveis que não significaram nada.
O roteiro, ao final, pode parecer óbvio,  mas talvez seja exatamente por isso que surpreende. Bem construído ele apresenta um suspense de deixar qualquer um tenso do começo ao fim.
James McAvoy está em sua melhor forma, se ele não estiver indicado a melhor ator ano que vem no Oscar ficarei MUITO indignada. Inclusive a direção e a fotografia ajudam a enaltecer o grande trabalho que ele faz nesse filme.
Dizem que esse filme é a continuação de "Corpo Fechado". Será? Assistam e me digam.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

POster e Ficha Técnica: IMDb


quinta-feira, 16 de março de 2017

Moonlight: Sob a Luz do Luar

título original: Moonlight
gênero: Drama
duração: 1h 51 min
ano de lançamento: 2016
estúdio: A24
direção: Barry Jenkins
roteiro: Barry Jenkins, Tarell Alvin McCraney
fotografia: James Laxton
direção de arte: Hannah Beachler

Chiron é um garoto introvertido e fechado. Criado por uma mãe viciada em drogas e com questões em relação a sua sexualidade, ele encontra apoio em lugares inesperados.
É lindo ver um filme com elenco majoritariamente negro, e a outra parcela composta por latinos, com uma boa parcela da produção - incluindo os principais cargos de diretor e roteirista - também composta por negros, e com um baixo custo de produção para os padrões hollywoodianos ganhar o destaque que esse filme ganhou e ainda levar a estatueta de Melhor Filme do Oscar.
Sim, podemos até questionar se a quantidade de indicações a negros esse ano e esse prêmio em especial não tiveram influência das manifestações na festa do ano passado. Mas uma coisa não podemos questionar, o show de interpretações desses atores e a seriedade do roteiro desse filme.
Pode ser um roteiro talvez visto por alguns como estereotipado por trabalho a questão periférica? Talvez, mas não podemos esquecer que essa é uma realidade para muitos. 
A quebra de paradigmas acontece quando você vê, em um meio onde todos tem de se mostrar viris e fortes, um garoto não sabendo como lidar com suas dúvidas e sua forma de existir. 
Outro ponto é o personagem do traficante Juan, interpretado por Mahershala Ali e justamente premiado por esse trabalho, que por mais que apareça pouco no filme com um todo, nos mostra um bandido de bom coração, um cara que apesar de todos os seus defeitos, consegue ser a melhor referência e melhor porto seguro para essa criança. Peço atenção ao último diálogo que ocorre entre eles, foi essa cena que selou seu prêmio como melhor ator coadjuvante.
A fotografia é linda, principalmente nas cenas de campo aberto. O jogo de cores é incrível. Soube-se fazer um trabalho que valorizasse ainda mais a pele negra em cena. 
A trilha sonora trabalha com estilos muito diferentes, inclusive não se surpreenda ao se deparar com Caetano Veloso no meio do filme.
O filme te deixa com aquele ponto de interrogação: haveria como uma criança, nesse meio e com essas referências, ter um sonho melhor do que o auge da sua vida ser se tornar o dono da boca? Como, nessa posição, ele poderia se assumir gay?
Há uma sequência específica na fase adolescente de Chiron que mexeu profundamente comigo e que considero o ponto auge e mais triste do filme. Mas também foi, no final das contas, a única sequência que realmente me impactou.
Respeito muito todo o trabalho que foi feito aqui, e mesmo achando um filme impressionante, em alguns aspectos saí da sala com um gostinho de esperava mais. Todo o bafafá em cima dele me fez criar expectativas muito altas que, mesmo o filme sendo marcante, não foram atingidas em sua completude. 
Ainda assim, acredito ser um filme necessário na atual conjuntura mundial e uma obra extremamente política.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

quarta-feira, 15 de março de 2017

La La Land

título original: La La Land
gênero: Musical, Comédia, Drama
duração: 2h 08 min
ano de lançamento: 2016
estúdio:  Black Label Media
direção: Damien Chazelle
roteiro: Damien Chazelle
fotografia: Linus Sandgren
direção de arte: David Wasco

Mia é uma atriz iniciante, Sebastian é um pianista de jazz. Os dois sonham alto mas não atingem o que querem. Quando se conhecem, aos poucos, se apaixonam, e um passa a ser a mola propulsora do sonho do outro.
Quando esse filme começou a ganhar muita repercussão na mídia e nas premiações, por mais que seja uma fã do gênero, fiquei com um pé atrás. Porque faz muito tempo que esse gênero não é trabalhado para valer, porque ele perdeu campo, porque ele não tem mais tanto glamour como tinha, enfim.
Mas a curiosidade não tinha passado e eu fui ver. 
Nos primeiros dez minutos de filme já acontece uma sequência musical pra deixar qualquer fã do gênero com o coraçãozinho aquecido. 
Não concordo com Emma Stone levar prêmio por melhor atriz, ainda assim, sua atuação e a de Ryan Gosling atendem ao que o filme exige, são interpretações agradáveis e os dois têm uma química muito boa.
A fotografia, o trabalho das cores, a direção de arte, tudo que constrói o filme visualmente foi feito com maestria. É um filme agradável de olhar e que te estimula a observar cada canto da tela.
Agora, o principal, as músicas: a trilha sonora desse filme foi feito com uma delicadeza que arrisco dizer que se tornou um trabalho atemporal. São músicas possíveis de se ouvir em um filme da década de 50, atual ou do futuro. Com certeza você sairá cantarolando alguma delas.
É claro que nada se cria, tudo se copia, mesmo assim, nesse caso isso é ótimo, vemos referências aos grandes clássicos musicais por todo o filme e essa é mais uma razão para os apaixonados pelo gênero se encantarem ainda mais por essa produção.
No final das contas cheguei a conclusão que ele mereceu, sim, todo o destaque que recebeu.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

terça-feira, 14 de março de 2017

Wallace & Gromit - A Batalha dos Vegetais

título original: The Curse of the Were-Rabbit
gênero: Animação, Comédia
duração: 01h25 min
ano de lançamento: 2005
estúdio:  Aardman Animations
direção:  Steve Box, Nick Park
roteiro:  Steve Box, Nick Park, Mark Burton, Bob Baker
fotografia: Tristan Oliver, Dave Alex Riddett
direção de arte: Phil Lewis

O concurso anual de legumes está próximo e o serviço anti-pragas prestado pelo inventor Wallace e seu cão Gromit está a todo vapor. Eles inventaram um jeito de capturar coelhos sem machucá-los, porém com isso a população em sua casa não para de crescer. Ao tentar inventar um novo método para resolver a praga ele acaba criando uma fera vegetariana que passa a destruir a plantação de toda a cidade.
O mais fascinante é ver que tudo ali foi construído com maquetes, bonecos e esculturas e, ainda assim, tudo parece tão real.
Além disso o roteiro é bem construído e ainda faz várias referências a clássicos do terror como "O Médico e o Monstro" e "Frankenstein".
Bem bolado, montado e executado, e muito divertido.

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb

segunda-feira, 13 de março de 2017

Adaptação

título original: Adaptation
gênero: Comédia, Drama
duração: 1h 54 min
ano de lançamento: 2002
estúdio: Beverly Detroit
direção: Spike Jonze
roteiro: Susan Orlean, Charlie Kaufman
fotografia: Lance Acord
direção de arte: K.K. Barrett

Charlie é um roteirista que recebe a difícil tarefa de adaptar para o cinema um livro sobre um homem que rouba orquídeas para cloná-las e vendê-las a colecionadores. Além disso ele ainda precisa lidar com sua baixa-estima e com um irmão gêmeo parasita.
Assumo que no princípio foi um pouco difícil acompanhar o raciocínio que o roteiro desenvolve. Mas é exatamente essa a graça  da história. Acompanhamos a história de um roteirista escrevendo um roteiro, porém o roteiro que estamos assistindo é o que está sendo escrito. Me fiz clara? Se não, tudo bem, é exatamente isso.
Não podia esperar menos de um filme que tem o mesmo diretor de "Quero Ser John Malkovich", inclusive há cenas dos bastidores deste filme dentro de Adaptação.
Quanto ao elenco, Meryl Streep e Chris Cooper tem uma química incrível, interagem muito bem ainda que seus personagens sejam antagônicos. Mas quem me surpreendeu aqui foi Nicolas Cage, em dose dupla e mandando bem nas duas situações.
Não é um filme para sossegar a cabeça, muito pelo contrário, inclusive você pode sair da experiência com a cabeça mais quente do que entrou. E isso será uma experiência incrível.

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb

domingo, 12 de março de 2017

Cidade CInza

gênero: Documentário
duração: 1h 25 min
ano de lançamento: 2013
estúdio: Sala12 Filmes e Motion
direção: Marcelo Mesquita, Guilherme Valiengo
roteiro:  Felipe Lacerda, Marcelo Mesquita, Peppe Siffredi
fotografia: Tiago Tambelli

Tomando por base um grafite de Os Gêmeos que foi apagado o documentário questiona os projetos de limpeza da cidade São Paulo em 2008.
Na época do documentário a cidade era governada por Gilberto Kassab que vinha implementando o projeto Cidade Limpa. Com carro chefe a retirada de outdoors e cartazes de posters, a destruição de grafites não recebeu tanto destaque na época.
Por isso soube desse documentário agora quando, com projeto similar, o prefeito atual, João Dória, decidiu apagar o que era um dos maiores murais de grafite da América Latina em prol de uma "Cidade Linda".
O documentário questiona muito não só o espaço que a arte marginal recebe nos espaços centrais da cidade, mas principalmente o que as pessoas consideram ou não arte e se essa classificação deve realmente ser feita.
É um filme curto, mas contundente e extremamente atual. Vale cada minuto.

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Truman

título original: Truman
gênero: Comédia, Drama
duração: 1h 48 min
ano de lançamento: 1985
estúdio: Audiovisual Aval SGR
direção: Cesc Gay
roteiro: Tomàs Aragay, Cesc Gay
fotografia: Andreu Rebés
direção de arte: Irene Montcada

Tomás mora no Canadá há muitos anos, mas volta a Madrid para visitar seu amigo de infância Júlian que está doente. Ao perceber que a situação dele é pior que o imaginado ambos começam a trabalhar juntos para que tudo fique em ordem nesse momento.
Temos aqui dois grandes nomes do cinema latino: Ricardo Darín e Javier Cámara, a interação entre os atores é fluida, dando a sensação de que são realmente amigos de longa data.
A fotografia e trilha sonora são leves, e conseguem trazer um equilíbrio ao tema pesado.
A direção conduz a história de forma a fazer o telespectador concordar com o personagem principal e aprovar a conclusão da trama.
Um bom drama para ocupar o dia.

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb

domingo, 12 de fevereiro de 2017

Depois de Horas

título original: After Hours
gênero: Comédia, Policial
duração: 1h 37 min
ano de lançamento: 1985
estúdio: Geffen Company, The
direção: Martin Scorsese
roteiro: Joseph Minion
fotografia: Michael Ballhaus
direção de arte: Jeffrey Townsend

Paul é um diagramador que, após o expediente, vai a um café e conhece uma garota por quem se interessa. Ele acaba marcando um encontro com ela e, ao ir buscá-la onde mora, no Soho, uma sucessão de acontecimentos transformam sua noite em uma confusão.
Talvez não seja um dos filmes mais famosos de Scorsese, eu pelo menos não lembro de ter ouvido falar sobre até assistir, mas com certeza é um dos mais diferentes.
Se você é uma pessoa ansiosa ou nervosa talvez esse filme amplie essas sensações. Tudo acontece em apenas uma noite, e a impressão é que não acabará nunca. A agonia do personagem se transforma na agonia do telespectador e, ao mesmo tempo, que há a torcida para que ele se livre dos problemas, há a vontade de que mais coisas aconteçam.
O estilo de filmagem tem aquele estilo clássico anos 80, o que acredito que valoriza a temática do filme.
Quanto ao elenco não conheço muito o trabalho dos principais atores, ainda assim não tenho do que reclamar, todos os envolvidos no trabalho dão o máximo de si, mesclando bem a realidade e a loucura.
Os momentos finais do filme são o ápice da maluquice, e com certeza o final parecerá sem pé nem cabeça, ainda assim vale a experiência.
Ah! E fique atento ao show punk, talvez você ache um diretor por ali. ;)

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb


sexta-feira, 20 de janeiro de 2017

Espelho, Espelho Meu

título original: Mirror Mirror
gênero: Fantasia, Comédia
duração: 1h 46 min
ano de lançamento: 2012
estúdio: Relativity Media
direção: Tarsem Singh
roteiro: Marc Klein, Jason Keller, Melisa Wallack
fotografia: Brendan Galvin
direção de arte: Tom Foden

Nessa releitura da história de Branca de Neve a madrasta matou o rei e a protagonista se unirá a sete anões prontos pra briga para recuperar seu reino.
O roteiro, renovando vários pontos desse clássico, não chega a impressionar mas agrada em vários pontos: o príncipe meio bobalhão e os anões como ladrões da floresta foram os pontos principais pra mim.
A direção e fotografia me remeteram um pouco a um estilo que vem sendo muito usado nessas novas roupagens de contos de fada, como o usado em "A Garota da Capa Vermelha".
Julia Roberts e Armie Hammer seguram as pontas no quesito atuação, entretém, divertem, fazem o necessário. Lily Collins coube bem ao papel de princesa, mas pesa um pouco a mão no ar de boazinha/sonsa e acaba parecendo um pouco inexpressiva.
Não é um filme para se programar para assistir, mas se pegar passando na TV (como foi meu caso) pode ser um bom passatempo.
Ah! E ainda tem cena estilo Bollywood no final.

CLASSIFICAÇÃO: REGULAR

Poster e Ficha Técnica: IMDb

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Boi Neon

gênero: Drama
duração: 1h 41 min
ano de lançamento: 2015
estúdio: Desvia Filmes
direção: Gabriel Mascaro
roteiro: Gabriel Mascaro
fotografia: Diego García

Iremar é um vaqueiro, dono de curral, que viaja o Nordeste brasileiro trabalhando em vaquejadas enquanto sonha em se tornar estilista.
Muito ouvi falar desse filme, principalmente na coletiva de imprensa de "Aquarius" onde o filme foi muito elogiado por Kleber Mendonça Filho. Assim, minha expectativa só foi crescendo.
Antes de começar a minha análise gostaria de deixar claro que os pontos que levantarei são suposições minhas que valorizam o filme, por não saber se era essa a intenção do diretor minha classificação final ficará abaixo do que o texto dará a entender.
Tive a oportunidade ontem de assistir quando peguei passando por acaso no CanalBrasil. Já sabendo de antemão que a produção era lenta e um tanto silenciosa, consegui me adaptar bem ao ritmo, mas acredito que para muitos essas características se tornarão pontos negativos, porém considero esses aspectos importantes para a condução da trama. 
A trama não tem exatamente começo-meio-fim, parece mais que começamos e paramos de acompanhar a rotina dessas pessoas em momentos aleatórios. Temos aqui pontos interessantes de se observar: a vida dentro de uma rotina constante e imutável como grande parte da vida comum da população, sem reviravoltas ou superações grandiosas; o sonho do personagem principal em se tornar algo extremamente fora de sua rotina e a crítica que isso traz à meritocracia; também pode-se trazer a questão da vaquejada que ficou muito em pauta no último ano.
A fotografia é serena ao mesmo tempo que um pouco deprimente, mais um reforço a linha de existência dos personagens.
O elenco trabalha de forma coerente, reforçando o vazio existencial de seus personagens. Minha única crítica seria mais sobre a dicção da atriz mirim que interpreta Cacá, não consegui entender uma única palavra do que a menina disse durante todo o filme.
Se toda a minha interpretação estiver correta, por mais que arrastado, o filme faz uma boa interpretação de uma parcela da sociedade que não tem espaço de representação nem de fala na mídia.
O meu maior problema com o filme foram as cenas de sexo. Sem puritanismo, acredito que ainda que explícitas, se bem colocadas na trama, essas cenas são coerentes (vide algumas cenas chocantes em "Aquarius" que estão em total consonância com a história). Porém o que temos aqui são cenas aleatórias, jogadas no meio do enredo e que tomam um bom espaço em certas sequências. Ok, sexo é algo rotineiro e assim podem ser vistas essas cenas? Sim. Ainda assim acho questionável pela questão de ser um filme para exportação e o Brasil já é visto de forma muito sexualizada no exterior, entendo então que cenas desse tipo só ajudam a reforçar certos preconceitos.
Ainda assim, creio que a última cena de sexo [/SPOILER]  onde Iremar transa com a grávida na fábrica têxtil pode ser vista como uma metáfora para o desejo do personagem principal em se inserir nesse mercado e que aquele seria seu único e maior contato - seu êxtase - com a área. [\SPOILER]

CLASSIFICAÇÃO: REGULAR

Poster e Ficha Técnica: IMDb

quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Rogue One: Uma História Star Wars

título original: Rogue One: A Star Wars Story
gênero: Ficção Científica, Aventura, Ação
duração: 2h 13 min
ano de lançamento: 2016
estúdio: Lucasfilm
direção: Gareth Edwards
roteiro: Chris Weitz, Tony Gilroy , John Knoll, Gary Whitta, George Lucas
fotografia: Greig Fraser
direção de arte: Doug Chiang, Neil Lamont

Na infância Jyn tem que se afastar dois pais para sobreviver quando seu pai, Galen, é capturado pelo Império para construir uma super arma. Anos depois, após ter que se virar sozinha por muito tempo, Jyn é resgatada pela Aliança Rebelde que deseja que ela recupere uma mensagem enviada para o rebelde que a criou, Saw Gerrera, com a promessa de ser libertada ao final da missão.
O que temos aqui é um filme derivado de Star Wars que não faz parte da história principal, mas que preenche a lacuna existente entre "Star Wars III: A vingança dos Sith" e "Star Wars IV: Uma Nova Esperança". E o faz da maneira certa. Sim, a Disney quer lucrar horrores com Star Wars e vai lançar um filme por ano, também já declarou que pode não levar a sério os cânones da série. Ainda assim isso não atrapalhou com que esse spin-off tivesse sucesso em sua execução. 
Não é um roteiro produzido para que haja um Rogue One 2 - e nem havia como dada a história já existente, mas partindo de um estúdio de finais felizes é surpreendente (de uma forma boa) o final que temos aqui.
Ainda sobre o roteiro, após um "Star Wars VII: O Despertar da Força" que é bom mas com mais saudosismo para fãs do que preso as origens, é agradável ver um roteiro que foca mais na veia política da série. 
O elenco é diversificado e acredito ser esse o grande trunfo do filme, o núcleo principal da história conta com negro, mexicano, japonês, mulher, deficiente visual, enfim. É uma mistura tão natural e que se encaixa tão bem na trama que soa até absurdo a necessidade de reinvindicacão para que haja maior diversificação nos filmes.
A produção é lotada de easter eggs dos outros filmes, acaba se tornando uma caça ao tesouro para achar detalhes de vestimentas, naves, robôs, e.t.s dos outros filmes. A direção de arte e os efeitos especiais são muito bem executados mas trazem o estilo dos primeiros filmes de volta.
Peço atenção, por fim, a sequência final do filme que é de arrepiar, principalmente se você assistir logo em seguida o início do IV. Ainda mais a maquiagem digital usada que poderá fazer brotar algumas lágrimas.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Invasão Zumbi

título original: Busanhaeng (Train to Busan)
gênero: Terror, Ação
duração: 1h 58 min
ano de lançamento: 2016
direção: Sang-ho Yeon
roteiro: Sang-ho Yeon
fotografia: Hyung-deok Lee

Sok-woo embarca no trem que faz o trajeto Seoul-Busan para levar sua filha ao encontro da mãe. Mas, logo no começo da viagem o trem é invadido por zumbis que passam a atacar os passageiros de tripulação. As cidades que ficam no trajeto também estão contaminadas e, enquanto a viagem ocorre, os sobreviventes precisam lutar por suas vidas.
Eu não gosto de nada que envolva zumbis, também não sou muito fã de filmes orientais. Mas como estou com uma amiga que mora longe visitando e ela insistiu muito, decidi dar uma chance. Lógico que os fatores de ser coreano (tive uma boa experiência com o único filme que vi do país : "Oldboy") e ter sido muito bem recebido em Cannes também ajudaram.
O roteiro não tem nada de profundo, basicamente são quase duas horas de seres humanos comuns tentando sobreviver a um ataque zumbi. Ainda assim a personalidade dos personagens, por mais comuns que sejam, conseguem ganhar a empatia e a identificação do público.
Outro ponto da história que acho válido perceber é que não se trata de um filme de "susto" - não que não tenham seus momentos - mas trabalha muito mais aspectos de filmes de ação. A trama te deixa agitado do começo ao fim, nenhum minuto de sossego é dado, é susto atrás de susto, nervoso atrás de nervoso. Além disso o roteiro ainda consegue trabalhar muito bem alguns momentos dramáticos extremamente emotivos.
Quanto aos zumbis, por mais que não tenha muito conhecimento na área, nunca vi transformações impactantes como essas, tão pouco mortos-vivos tão ágeis. Atenção às cenas em que eles aparecem em multidões - são de arrepiar.
Os efeitos especiais são bons, uma ou outra cena rápida percebe-se o cromaqui ao fundo, mas nada que prejudique. O que chamou mais minha atenção é uma cena quase ao final envolvendo um trem - quem assistir saberá do que estou falando - não dá pra identificar efeitos visuais e se aquilo foi ensaiado é de cair o queixo.
Enfim, não entrou pra minha lista de favoritos porque continua sendo um gênero que não me atrai muito, mas tive a certeza que meu coração está muito saudável e que poderia praticar o esporte de pular poltronas no susto. Fui assistir na última sessão da noite e tive que tomar chá de camomila ao chegar em casa para conseguir dormir, portanto, propósito atingido.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb