sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Os Vigaristas

título original: Matchstick Men 
gênero: Policial, Suspense
duração: 01h 56 min
ano de lançamento: 2003
estúdio: Warner Bros.
direção: Ridley Scott
roteiro: Eric Garcia, Nicholas Griffin, Ted Griffin
fotografia: John Mathieson
direção de arte: Tom Foden

Roy é um cara cheio de fobias. Ele e seu sócio Frank são golpistas. Entre um plano e outro, Roy acaba ficando sem seus remédios e precisa ir em busca de um psiquiatra. Ao fazer a terapia acaba descobrindo uma filha adolescente que não sabia que existia.

Roteiro divertido, intrigante e com um bom plot twist no final; mas nada que exploda a cabeça ou coisa do tipo.
O que mais me impressionou foi ver uma boa atuação de Nicolas Cage - o que não é muito comum já que o atuar parece fazer sempre mais do mesmo - seus tiques são muito bem construídos e garantem um nível de aflição e risadas ao mesmo tempo.
Mas o que impressiona é Alison Lohman, que na época com 24 anos interpretou alguém com 10 anos menos - e convenceu!

Pode ser um bom passatempo para qualquer hora.
CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb

quinta-feira, 24 de novembro de 2016

Casa Grande

gênero: Drama
duração: 01h 55 min
ano de lançamento: 2014
estúdio: Migdal Filmes
direção: Fellipe Barbosa
roteiro: Fellipe Barbosa, Karen Sztajnberg
fotografia: Pedro Sotero
direção de arte: Ana Paula Cardoso

Jean é um adolescente vindo de uma família da classe alta carioca, enquanto seus pais tentam esconder a falência, os empregados têm de lidar com suas demissões e Jean começa e enxergar as contradições em sua casa.

Apesar de ser anterior ao "Que Horas ela Volta?" eu diria que esse filme é uma visão de uma história similar só que contada do ponto de vista dos patrões, ainda que tenha a mesma crítica.
Acredito que seja uma tendência crescente no cinema nacional trabalhar a real sociedade brasileira, não estereotipando apenas em comunidades pobres ou vendo com os olhos das novelas, completamente irreais. E é um tema necessário para que compreendamos melhor a realidade em que vivemos.
As críticas as disparidades são fáceis de se ver, porém ainda temos temas polêmicos sendo questionados como as cotas - e aqui vi uma possibilidade de se tomar como certo a opinião do personagem que mais convém ao seu modo de ver e não afirmando que algo é certo ou errado.
A fotografia é leve, segue uma linha recente de usar tons mais sépia que me agrada muito. 
O elenco, não decepciona, mas o grupo jovem fica em um nível um pouco abaixo do necessário, em alguns momentos me parece até um pouco teatro de escola. Quem me impressionou foi Marcello Novaes, normalmente em papéis de bom rapaz e camarada, está muito bem no papel de um homem falido que não desce do pedestal, extremamente arrogante.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

quarta-feira, 23 de novembro de 2016

A Chegada

título original: Arrival
gênero: Ficção Científica, Suspense, Drama
duração: 01h 56 min
ano de lançamento: 2016
estúdio: 21 Laps Entertainment
direção: Denis Villeneuve
roteiro: Eric Heisserer, Ted Chiang
fotografia: Bradford Young
direção de arte: Patrice Vermette

TEXTO PRODUZIDO PARA CENTRAL42


Doze ovnis em formato de concha surgem em vários pontos do planeta. Os militares norte-americanos entram em contato com a Dra. Louise Banks, uma linguista renomada, para desvendar a linguagem dos extraterrestres em seu primeiro contato. Porém, a resposta pode representar uma ameaça.

Mais uma vez fui ao cinema as cegas, mais uma vez foi a melhor coisa que fiz. Ao assistir ao trailer depois de ver o filme percebi que revela muitas coisas que me surpreenderam durante a exibição e que poderiam ter perdido a graça se tivesse visto antes.

Filmes de ficção científica que retratam o primeiro contato entre humanos e alienígenas é o que não faltam no catálogo cinematográfico. "Sinais", "Contatos Imediatos de Terceiro Grau", "Independence Day", só para citar alguns. Na maioria das vezes os E.T.s são retratados como algo perigoso, muitas vezes o mote principal do filme acaba sendo a guerra entre mundos ou os alienígenas querendo destruir a Terra e acabar com os humanos.

Nessa produção há sim uma suspeita sobre a vinda desses visitantes e uma preocupação com o que irão fazer, o que inclusive constrói um suspense de deixar qualquer um tenso durante toda a projeção. Mas o assunto principal na verdade é sobre diálogo, dois seres diferentes tentando se comunicar; e isso é simplesmente sensacional. Os alienígenas da história servem mais como escada para questionar os relacionamentos entre as sociedades humanas do que para criar conflitos, guerras interplanetárias ou explosões megalomaníacas. Além disso a trama também discute outros assuntos mais científicos que não vou falar para não estragar a surpresa. Ainda assim guardem isso: não é um filme que aborda astronomia, física, ciências em geral, mas política e principalmente linguística, linguagem e diálogo.

Quanto ao elenco temos Forest Whitaker ótimo no papel de um militar preparado e engajado em seu trabalho e Amy Adams e Jeremy Renner entrando completamente no papel de dois acadêmicos tendo contato coisas inimagináveis, a ansiedade e espanto que demonstram ao terem o primeiro contato é quase palpável.

A trilha sonora lembra muito a de "A Origem", mas funciona bem com o estilo do filme então acredito que não seja um ponto negativo ter seguido a moda. A fotografia usa de tons muito sépia e acizentados e abusa de desfoques em cenas de lembranças, tendência que venho observando com bastante frequência no cinema atual - esse estilo pode ser visto no recente "Animais Fantásticos e Onde Habitam" por exemplo, mas acredito que a inspiração pode ter vindo de "Interestelar".

Claro que nem tudo são flores: há uma romantização de alguns momentos que talvez fosse desnecessária dentro de uma trama com outro tipo de profundidade, e como todo filme hollywoodiano que envolve conflitos mundiais os EUA são responsável pelo bom-mocismo enquanto Rússia e China são os impulsivos vilões ( apesar que achei a forma que os chineses encontraram para conversar com os E.T.s genial ).

Ainda assim acredito que esse filme consiga atingir bem todas as classificações na qual se encaixa, é um sci-fi de primeira, constrói um bom suspense e ainda tem uma veia delicada mas marcante de drama. Arrisco dizer que é o melhor ficção-científica do ano.

CLASSIFICAÇÃO: MARAVILHOSO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

terça-feira, 22 de novembro de 2016

É Apenas o Fim do Mundo

título original: Juste la fin du monde
gênero: Drama
duração: 01h 37 min
ano de lançamento: 2016
estúdio: Sons of Manual
direção: Xavier Dolan
roteiro: Xavier Dolan, Jean-Luc Lagarce
fotografia: André Turpin
direção de arte: Colombe Raby

TEXTO PRODUZIDO PARA CENTRAL 42


Após 12 anos sem voltar para a casa da família, o escritor Louis retorna para contar a seus parentes que está para morrer. Porém, assim que chega todos os problemas do passado voltam a tona.

A sinopse do filme prometia, a problemática familiar é um tema que pode ser muito aprofundado sem se tornar repetitivo, mas ao pecar no exagero ele acaba perdendo a mão. Explanarei.

Esse núcleo familiar é praticamente composto por quatro pessoas que não aguentam mais conviver uma com a outra e um quinto elemento que acabou se tornando um estranho a todos. Ao procurar terminar sua vida em paz com seus familiares, Louis acaba se deparando apenas com os motivos que o levaram embora.

Há uma saturação no relacionamento entre essas pessoas tão grande que até mesmo o personagem principal parece não aguentar mais, mesmo os tendo reencontrado durante um único dia.

Digo mais, parece até mesmo que o elenco está saturado. Nathalie Baye parece apática durante todo o filme; Marion Cotillard, no papel de uma mulher oprimida pelo marido, não parece confortável em viver seu personagem e suas falas são mal construídas, na intenção de mostrar seu retraimento parece mais que ela não decorou corretamente o texto e deixaram por isso mesmo; Léa Seydoux e Gaspard Uillel também não parecem estar vivendo um reencontro tão intenso, o último inclusive me parece mais um espectador da crise do que um participante. Por fim, Vincent Cassel está em um papel que acredito ser um de seus mais odiosos, sim se trata de um cara estúpido e agressivo e ele impressiona em algumas cenas, mas parece que o ator pegou toda a responsabilidade para si de representar o sentimento que deveria ser expresso por todo o elenco e seu trabalho acaba ficando exagerado.

Claro que filmes hollywoodianos que trabalham temáticas parecidas tendem ao clichê e ao perdão, o que é uma forma errônea de se retratar o relacionamento em família, o deixando raso. Mas nesse trabalho Xavier Dolan quis intensificar tanto os problemas familiares comuns que os deixou fora de órbita.

Para mostrar ainda mais essa intimidade e seus sentimentos o diretor optou por fazer quase o filme todo em close nos artistas e com monólogos intermináveis. Isso deixa o filme tão cansativo que sua duração, de pouco mais de 1h30, parece chegar a 3 horas.

Ainda assim tenho pontos a elogiar sobre o filme, a iluminação é delicada e me parece namorar com álbuns e vídeos de família. Outro ponto alto é a trilha sonora que contrapõe o ritmo do filme em muitos momentos e com escolhas de músicas bem interessantes.

No final só chego a duas conclusões: não é porque ganhou o Grand Prix du Júri em Cannes que é bom e como já diria Guimarães Rosa em Grande Sertão Veredas - "Parente não é o escolhido - é o demarcado."

CLASSIFICAÇÃO: PÉSSIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

sábado, 19 de novembro de 2016

Noites de Tormenta

título original: Nights in Rodanthe
gênero: Drama, Romance
duração: 1h 37 min
ano de lançamento: 2008
estúdio: Warner Bros.
direção: George C. Wolfe
roteiro: Ann Peacock, John Romano, Nicholas Sparks
fotografia: Affonso Beato
direção de arte: Patrizia von Brandenstein

Adrielle está separada, sua vida está um caos. Em um final de semana que os filhos vão ficar com o pai este resolve pedir para reatar, ela pede um tempo para pensar e vai para o hotel da amiga Jean ficar em seu lugar enquanto ela viaja. Para aqueles dias há apenas um hóspede, o Dr. Paul que perdeu o contato com o filho e está passando por uma crise de consciência. Enquanto uma forte tempestade se aproxima da região, eles se ajudarão mutuamente a superar seus tormentos.
O roteiro é bem previsível até um ponto e a partir daí se torna algo bem próximo a uma novela, cheio de dramalhões supostos finais felizes.
O que salva o filme é a boa química que existe entre Richard Gere e Diane Lane, inclusive eles já trabalharam como casal em "Infidelidade" e funcionou muito bem também. 
A trilha sonora e a fotografia contribuem ao clima agradável do filme.
No final das contas, pode ser um bom passatempo, mas nada surpreendente.

CLASSIFICAÇÃO: REGULAR

Poster e Ficha Técnica: IMDb

sexta-feira, 18 de novembro de 2016

Gigolô Americano

título original: American Gigolo
gênero: Suspense, Policial
duração: 01h 57 min
ano de lançamento: 1980
estúdio: Paramount Pictures
direção: Paul Schrader
roteiro: Paul Schrader
fotografia: John Bailey

Los Angeles, Julian é um gigolô que apenas trabalha para mulheres mais velhas, muito ricas e entendiadas. Após se envolver emocionalmente com uma cliente e ser acusado de ter assassinado outra, Julian vê sua vida virar do avesso.
Estamos lidando com um filme dirigido e escrito pelo mesmo autor de "Touro Indomável" e "TaxiDriver", Paul Schrader. Tem como dar errado? Incrivelmente tem.
Tinha tudo para ser um suspense policial passado no submundo de Los Angeles de primeira. Envolve prostituição masculina, a vida oculta das elites e suas hipocrisias. Porém, o suspense não cria expectativa alguma e a investigação policial não é bem desenvolvida e não se aprofunda o suficiente.
Nem mesmo como soft porn, estilo muito explorado nos anos 80, funciona. Para um filme envolvendo prostituição tem pouco material de nudez e as cenas que tem são extremamente mal feitas. Na primeira relação de Julian e Michelle as carícias são visivelmente coreografadas, em alguns momentos até mesmo parece que não estão tocando um no outro, somente simulando.
Praticamente não existe trilha sonora, muito menos sons ambientes, o que deixa o filme muito arrastado. Até mesmo em cenas de quebra-quebra falta o barulho das coisas sendo jogadas.
Por fim, Richard Gere parece um boneco de cera nesse filme, pior atuação dele que já vi.
Não percam tempo.

CLASSIFICAÇÃO: LIXO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

quinta-feira, 17 de novembro de 2016

Animais Fantásticos e Onde Habitam

título original: Fantastic Beasts and Where to Find Them 
gênero: Fantasia, Aventura
duração: 02h 13 min
ano de lançamento: 2016
estúdio: Warner Bros.
direção: David Yates
roteiro: J.K. Rowling
fotografia: Philippe Rousselot
direção de arte: Stuart Craig, James Hambidge

TEXTO PRODUZIDO PARA CENTRAL42



1926. New Scamander, um magizoologista britânico, faz uma viagem a Nova York. Em sua maleta ele carrega animais fantásticos, mas quando alguns deles escapam ele tem que usar de seu conhecimento para recapturá-los sem causar muitos danos ou mesmo ser notado pela comunidade bruxa norte-americana - que tem regras muito mais rígidas sobre exposição aos trouxas.

Esse filme se trata de um spin-off de Harry Potter que se passa 70 anos antes da aparição deste. O roteiro se baseou em um livro da escritora J.K. Rowling onde, na verdade, temos mais um catálogo sobre animais mágicos e não uma história em si, assim já temos um ponto positivo: não há muito o que comparar entre obra escrita e obra filmada aqui.

Não tendo lido o livro nem ao menos visto o trailer, fui as cegas para o cinema. Assim que o logo da Warner apareceu com a música tema de Harry Potter ao fundo já senti um arrepio que prometia coisa boa vindo.

Apesar de não se passar na mesma época nem mesmo no mesmo local a sensação ambiente é igual. J.K. Rowling tem uma capacidade incrível de escrever histórias que te fazem imergir completamente na trama, fica fácil comprar a ideia de que aqueles animais realmente existem ou que é plausível alguém entrar em uma mala. Mesmo com 02 horas e 13 minutos de duração, o filme passa de forma fluida e cativante. Inclusive, ter contato com outras sociedades bruxas ao redor do mundo traz um frescor ao tema, o que pode garantir o interesse por essa trama caso continue rodando por várias comunidades.

Os efeitos são bem produzidos, a fotografia é agradável e fortifica a sensação de um ambiente mágico. A trilha sonora adiciona o que faltava de fantasia à trama, sabendo mesclar bem músicas que seguem a linha dos outros filmes da saga Harry Potter com músicas que se encaixam perfeitamente à época em que o filme se passa.

Quanto ao elenco acredito que quem mais se destaca é Ezra Miller no papel de um rapaz introspectivo e em conflito consigo e com o mundo. Eddie Redmayne é um ótimo ator sem dúvidas, mas sinto que as produções vêm focando muito em uma característica que parece ser própria do ator: um certo charme ou simpatia escondida pela timidez, o que acaba ficando um pouco repetitivo. Katherine Waterston e Alice Sudol ocupam papéis cativantes e com certeza ganharão a simpatia - cada uma com suas peculiaridades, mas não acho que sejam personagens que conquistarão corações. Dan Fogler pode ser "apenas" o alívio cômico da trama, mas é extremamente necessário, inclusive em alguns momentos acredito que ele ganhe mais espaço do que os personagens principais.

Minhas poucas críticas ao filme ficam em dois pontos:

  • Colin Farrell , que é um ator canastrão, não faz mais do que a si mesmo e não merecia um papel de tanto destaque. Em um certo ponto o caráter do personagem fica confuso e mudando de faceta de minuto em minuto, eu não sei se isso foi propositalmente construído no roteiro ou só da atuação dele que foi ruim.
  • Um acontecimento nos momentos finais do roteiro desrespeita a inteligência dos expectadores. [SPOILER/] Ao obliviar a memória de uma cidade inteira pela chuva, até mesmo quem estava dentro de casa foi atingido, porque então Jacob Kawalski só teve sua memória apagada ao sair do metrô? [\SPOILER]


Ah! E ainda temos uma pequena participação de Johnny Depp, que mesmo merecendo ser abandonado por seu público após suas últimas polêmicas, consegue impressionar com sua atuação em poucos minutos.

Mesmo com os pontos que considero negativos um novo mundo de encantamento se abre, em todas as suas possíveis interpretações. Com certeza será uma saga que agradará aos pequenos que estão conhecendo Harry Potter só agora, matará as saudades dos potterheads e será um entretenimento lúdico para aqueles que não fazem ideia do que se trata.



CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

Rainha de Katwe

título original: Queen of Katwe
gênero: Drama
duração: 02h 04 min
ano de lançamento: 2016
estúdio:  Walt Disney Pictures
direção: Mira Nair
roteiro: William Wheeler, Tim Crothers
fotografia: Sean Bobbitt
direção de arte: Stephanie Carroll

TEXTO PRODUZIDO PARA CENTRAL42

Phiona Mutesi é uma garota sem instrução nem grandes expectativas na vida que vive em Katwe, um bairro pobre de Kampala, capital de Uganda. Certo dia, ao seguir seu irmão, ela descobre o grupo missionário que dá aula de xadrez e se junta a eles. Ao perceber a capacidade estratégica da menina, o professor Katende a encoraja a levar a sério o esporte e correr atrás de seus sonhos.

Pode parecer apenas mais um daqueles filmes motivacionais ou extremamente emotivos, a cara da Disney, mas é mais do que isso. Sim, a Disney foi a escolha perfeita para produzir essa história afinal eles entendem bem do gênero, porém não é só mais um drama com mensagem positiva. Estamos tratando de uma história real, recente e que traz esperança em tempos sombrios. Esse filme é a prova que a Jornada do Herói pode acontecer de verdade.

Ainda que muito inspirador, o roteiro também traz a crueza de uma realidade pouco conhecida do mundo. É muito importante que, num mundo tão globalizado, tenhamos cada vez mais filmes diversificados, não tão centrados no mundo ocidental. Além de ser um filme passado em Uganda - raros são os filmes hollywoodianos passados no continente africano - ainda mostra o preconceito de classes na cidade (quando o senso comum mundial é que "só existe pobre na África").

Inglês é uma das línguas oficiais de Uganda. Ainda assim, ao ver quase todo o elenco falar com certo sotaque fiquei curiosa imaginando como o filme poderia ter ficado mais interessante se colocassem mais dialetos locais nos diálogos.
Outro ponto importante é a caracterização, as vestimentas típicas são importantíssimas para valorizar a cultura retratada e esse trabalho foi muito bem feito, apesar da falta de continuidade em algumas cenas. (talvez SPOILER: a mudança de roupa usada pela mãe na cena do acidente do filho, e um vestido importante que é vendido e reaparece depois sendo usado)

Quanto ao elenco, tirando Lupita Nyong'o e David Oyelowo que já são conhecidos do grande público, a grande maioria é de iniciantes. Inclusive ambos fazem um ótimo trabalho interpretando figuras de referência para a jovem Phiona. Madina Nalwanga é de uma simplicidade e doçura que impede até o coração mais gelado de não se encantar por sua personagem e torcer por ela. Todo o elenco de base mirim também é encantador, principalmente Ethan Nazario Lubega, que traz alívio cômico na medida certa.

Por fim, a forma como a trama é conduzida o deixa um pouquinho arrastado, quase no final do filme a sensação era de que tinham passado bem mais do que as 2 horas de duração. Mesmo assim não vejo outra forma para que fosse contato muito menos alguma sequência que pudesse ser cortada. Cada detalhe é importantíssimo para construir a história de vida de Phiona e seu caminho a ser trilhado, cada minuto de filme te fará ficar com um nó na garganta.

E, se assim como eu, você conseguir conter a emoção, no final ficará impossível segurar as lágrimas. Se deixe levar por essa história real e emocionante, e pode chorar de soluçar.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

quinta-feira, 10 de novembro de 2016

Da Magia à Sedução

título original: Practical Magic
gênero: Comédia, Fantasia
duração: 01h 44 min
ano de lançamento: 1998
estúdio:  DiNovi Pictures
direção: Griffin Dunne
roteiro: Alice Hoffman, Robin Swicord, Akiva Goldsman, Adam Brooks
fotografia: 
Andrew Dunn
direção de arte: Robin Standefer

Sally e Gillian são duas irmãs que foram viver com suas tias após a maldição da família atingir seus pais: todo homem por quem uma mulher da família se apaixona morre, e a mãe delas morreu de amor. Renegando o passado bruxo da família, elas decidem ter vidas normais, mas as coisas não saem como desejam.
Roteiro divertido, café com leite, mas previsível. Mesmo assim pode ser uma boa opção para passar o tempo com algo leve, engraçado e de clima familiar.
Sandra Bullock e Nicole Kidman estão bem encaixadas em seus papéis e, o mais importante, têm uma sintonia incrível. Dianne Wiest e Stockard Channing poderiam ter ganhado um pouco mais de espaço na história pois também estão bem em seus papéis de "tias bruxas". O mais divertido do elenco é ver Evan Rachel Wood quase irreconhecível de tão novinha.
Não é um filme que merece prêmios ou te faça refletir, apenas diversão e passatempo.

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e FIcha Técnica: IMDb

quarta-feira, 9 de novembro de 2016

Tempo de Recomeçar

título original: Life as a House
gênero: Drama
duração: 02h 05 min
ano de lançamento: 2001
estúdio: Winkler Films
direção: Irwin Winkler
roteiro: Mark Andrus
fotografia: 
Vilmos Zsigmond
direção de arte: J. Dennis Washington

George é um arquiteto que, após ser demitido, descobre estar com câncer e ter pouco tempo de vida. Resolve então se reaproximar de Sam, seu filho rebelde, e fazer as pazes com Robin, sua ex-esposa.
O roteiro é muito lugar comum, quantos filmes já não vimos em que o personagem principal descobre estar para morrer e assim decide aproveitar a vida, se reconciliar com as pessoas, enfim, se tornar uma pessoa melhor enquanto tem tempo? Não que seja ruim, é motivacional e o público costuma se sensibilizar com esse tipo de história, mas já sabemos sempre como irá terminar.
Kevin Kline e Kristin Scott Thomas são o ponto alto do elenco, ambos muito talentosos, trazem um pouco mais de vida à história. Jena Malone faz uma lolita caricata que não me agrada muito.
Agora, o problema mesmo é Hayden Christensen. Quem ainda insiste em dar papéis para esse garoto? Qualquer pessoa é capaz de atuar melhor do que ele.
O filme, no todo, pode ser uma boa opção para ocupar o tempo ou deixar a TV ligada enquanto faz outras coisas, mas não é uma produção que mereça tanta atenção.

CLASSIFICAÇÃO: REGULAR

Poster e Ficha Técnica: IMDb

terça-feira, 8 de novembro de 2016

Império do Sol

título original: Empire of the Sun
gênero: Guerra, Drama
duração: 02h 33 min
ano de lançamento: 1987
estúdio: Amblin Entertainment, Warner Bros.
direção: Steven Spielberg
roteiro: J.G. Ballard, Tom Stoppard
fotografia:
 
Allen Daviau
direção de arte: Norman Reynolds

Jim, um garoto de 11 anos, vive uma vida de alto padrão com sua família em Shangai. Quando o Japão invade a China ele acaba se separando dos pais e o obrigando a aprender a se defender para sobreviver.
Como quase todo filme americano sobre guerra o patriotismo é latente, deixemos isso de lado. Aqui o que mais vale é a visão de uma criança sobre a guerra, de dentro desta. A forma como interage com o mundo em alguns momentos como se vivesse uma vida comum e em outros se mostra extremamente perturbada com o que está acontecendo é chocante.
Estamos falando de Steven Spielberg conduzindo um filme de guerra, não podemos esperar nada menos do que um filme com uma boa linha narrativa, bem desenvolvido e com enquadramentos tocantes.
Quanto ao ator principal, temos aqui Christian Bale com 13 anos - mas já com sua cara - e esbanjando talento. Incrível o que ele constrói com esse personagem com tão pouca idade. A maneira como em alguns momentos parece sair da realidade e beirar a loucura é impressionante e comovente.
Para ajudar temos John Malkovich fazendo uma parceria perfeita com o então garoto Bale. Os dois juntos funcionaram muito bem.
Acredito ser difícil ficar indiferente a essa filme, conseguiram aqui construir uma visão fora do comum sobre a guerra. 

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

segunda-feira, 7 de novembro de 2016

Donnie Darko

título original: Donnie Darko
gênero: Suspense, Ficção Científica
duração: 1h 53 min
ano de lançamento: 2001
estúdio: Pandora Cinema
direção: Richard Kelly
roteiro: Richard Kelly
fotografia: Steven Poster
direção de arte: Alec Hammond

Anos 80 em uma pequena cidade americana bem conservadora. Donnie Darko é um adolescente com problemas psicológicos. Certa noite Donnie vê um coelho gigante que fala com ele e o salva a vida, o tirando de seu quarto onde minutos depois cai uma turbina de avião. O coelho também o avisa que o fim do mundo está próximo e o garoto passa a viver entre a realidade e suas alucinações.
Após ver muitos entusiastas do filme falando o quanto ele é "diferentão", sem pé nem cabeça ou "blowminding" resolvi assistir.
Sim, o filme é muito legal. Mas não é como muitos falam que "você termina sem entender nada", eu pelo menos saí com muitas ideias dele.
A forma como o roteiro trabalha as alucinações do garoto, seu tratamento e as reações a esse, e ao mesmo tempo desenvolve assuntos bem diferentes como viagem no tempo, teoria do buraco da minhoca e afim é muito interessante.
Outro ponto é que, apesar de aparentemente só Donnie se medicar na história, muitos outros personagens parecem dopados por uma sociedade cheia de "etiquetas" e crendices.
O único ponto negativo diria que são os efeitos especiais, mesmo sendo do começo dos anos 2000 parecem realmente efeitos dos anos 80.
Já o elenco só tenho elogios, Jake Gyllenhaal novinho de tudo mas chegando com voadora pé no peito, Jena Malone está no mesmo ritmo de seu par, família do rapaz em geral parece mais afetada pelos problemas do rapaz do que ele próprio. Ah e Drew Barrymore e Beth Grant nos papéis de duas professoras antagônicas dão um charme a mais à história.
Acho que o pessoal joga confete demais em cima do filme, mesmo assim vale muito a pena assistir.


ps.: deixo aqui minha teoria sobre o filme [SPOILER/] A esquizofrenia do rapaz nada mais é do que um portal de viagem no tempo [\SPOILER] 

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

domingo, 6 de novembro de 2016

Mr. Gaga

título original: Mr. Gaga
gênero: Documentário
duração: 01h 40 min
ano de lançamento: 2015
estúdio: Heymann Brothers Films
direção: Tomer Heymann
roteiro: Tomer Heymann
fotografia: Itai Raziel

Documentário sobre a vida pessoal e profissional do coreógrafo israelense Ohad Naharin, também diretor artístico da companhia Batsheva.
Pude assistir a esse filme na 40ª Mostra Internacional de Cinema e , mesmo sem conhecer nada do trabalho de Ohad foi uma experiência impressionante.
Não se trata apenas de dança contemporânea, mas de um estilo próprio criado por ele, uma nova linguagem chamada Gaga.
Assim como em "Pina", o filme une depoimentos de pessoas ligadas ao coreógrafo, e também dele próprio, com gravações de apresentações dele desde o início de carreira até os dias atuais, incluindo também arquivos pessoais.
Tudo é muito bem amarrado - tanto que há até um certo suspense criado enquanto há a narrativa de sua vida pessoal. Além disso as cenas das coreografias e dos ensaios vêm no momento certo para trazer aquela energia a mais necessária para um bom ritmo em um documentário.
Para quem se dedica integralmente à dança, para quem dança ocasionalmente ou para quem só admira, aqui está uma obra para te impressionar.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb