quinta-feira, 1 de setembro de 2016

Um Namorado Para Minha Mulher

gênero: Comédia
duração: 01h 51 min
ano de lançamento: 2016
estúdio: Paris Produções
direção: Julia Rezende
roteiro: Julia Rezende, Lusa Silvestre
fotografia: Dante Belluti

TEXTO PRODUZIDO PARA CENTRAL42


Nena é uma mulher implicante e mau-humorada. Não aguentando mais seu jeito o marido, Chico, resolve contratar um sedutor profissional, Corvo, para conquistá-la na intenção de que ela peça a separação.
Essa produção é uma adaptação do filme argentino "Un novio para mi mujer". Segundo Julia Rezende, diretora do filme, o maior desafio do filme foi atualizá-lo, trazê-lo mais para o clima de comédia (já que o original tende mais ao drama) e deixá-lo mais com cara de uma história brasileira e paulista. Não assisti ao argentino, mas do que conheço das produções do país acredito que realmente seja mais dramático; mesmo assim a versão brasileira conseguiu encontrar um meio termo. Se trata de uma comédia mais sóbria, onde a piada está a serviço da história e não o contrário, o que pode ser bem interessante para o público que não é fã das comédias padrões nacionais, aquele tipo que Ingrid Guimarães costuma fazer com mais frequência.
Inclusive a atriz comentou o assunto durante a coletiva, após falar sobre como "o Brasil é dividido em filmes de autor e blockbuster, o meio do caminho a gente ainda não encontrou", Ingrid disse estar tentando diversificar para trazer seu público de filmes de grande bilheteria para produções mais no meio termo. 
Outro ponto levantado pela diretora e que fica claro na produção é a escolha de uma paleta de cores mais sóbrias, diferente da maior parte das comédias filmadas no Rio, que costumam ser muito coloridas. Isso valorizou muito a produção, pois a deixou com menos cara de filme para TV ou programa da Globo; trouxe uma cara mais séria e profissional a uma comédia, provando que é possível ser bem produzido e engraçado ao mesmo tempo.
O roteiro segue a linha de raciocínio de uma comédia romântica, não há nenhum plot-twist significante, mas os personagens são tão bem construídos que o possível lugar comum da história é deixado de lado ao se aproveitar bem as figuras complexas e os bons alívios cômicos.
Primeiro temos Chico, uma marido covarde, sem personalidade e medroso. Segundo Caco Ciocler foi um novo risco que assumiu ao arriscar entrar no mundo da comédia. Ainda assim fez um ótimo trabalho, é fácil acreditar que o ator é assim mesmo na vida real. Inclusive, durante coletiva ele levantou um ponto crucial sobre a trama: "o filme é difícil porque é um desafio quando os três personagens são apresentados, é uma chata basicamente que fica em casa, um covarde, e um cara que ninguém sabe o que é, meio esquisito. Normalmente o filme tem que apresentar os personagens na primeira metade do filme para ganhar o público, e a gente apresenta as avessas, e o desafio foi como sustentar a primeira metade do filme com esses personagens chatos, esse casal que não se dá bem. E depois o ponto de virada é a redenção desses personagens, ela começa a se valorizar, o Chico percebe que está perdendo um grande amor e passa a ser corajoso e o cara inclassificável de repente se vê apaixonado, quer dizer, no momento que eles se transformam a gente já devia ter o público na nossa mão."
Depois temos o Corvo, feito pelo galã global Domingos Montagner, o personagem que tenta ser um amante latino e se torna mais uma figura desconhecida e estranha. E aí que está a transformação, o ator se presta a fazer uma sátira de si mesmo, tem que ter postura de galã em um personagem que diverge disso. A ironia dentro desse "charme" está principalmente nos vícios que Corvo tem em mexer no cabelo ao tentar seduzir Nena, por exemplo.
Por fim, Nena. Uma figura que com certeza foi bem desafiadora para Ingrid Guimarães. Como a próprias atriz disse em coletiva, ela vem de uma sequência de personagens poderosas e bem sucedidas que conciliam trabalho, casamento e filhos, Nena é completamente o oposto disso: uma mulher sem trabalho, hobbies ou filhos que fica o dia todo em casa sem ter com o que se ocupar. Além disso, como comediante, a atriz afirmou ser muito difícil se manter séria e não tentar ser simpática ou aceita. Para a personagem ela, junto à diretora Julia Rezende, fez um exercício de não sorrir, criar uma Nena sem expressões. Isso com certeza foi fundamental para desvincular a figura que temos em mente da Ingrid de sua personagem, figuras antagônicas. 
Com certeza temos aqui um novo passo dentro do cinema nacional. Como dito não faz a linha "grande bilheteria" nacional, mas atinge um mercado médio que não costuma ser explorado. Também se trata de um tipo de comédia levemente dramática, diferente do que se costuma fazer; talvez por se tratar de uma adaptação argentina, mas quem sabe se, primeiramente importando dos hermanos, depois não consigamos produzir coisas mais nessa linha com selo totalmente brazuca? Não sou muito fã das comédias nacionais, prefiro as produções "de autor", mas essa foi uma que me surpreendeu bastante e de forma muito positiva. Vale o ingresso com certeza.

Curiosidades sobre o filme:

- Corvo originalmente não era do circo. A produção resolveu dar carta branca a Domingos Montagner para que ele trouxesse sua experiência pessoal para o personagem.
- A cena de Corvo com Nena no circo era para ser feita com facas e estava combinado de Ingrid só ver no momento da filmagem. Domingos surpreendeu tanto a atriz quanto a diretora ao entrar fazendo um show com fogo. A reação de espanto de Nena, portanto, é original e sincera da atriz.
- As cenas das gravações dos vídeos para internet tiveram colaboração de Ingrid Guimarães no texto, tendo muitas opiniões da própria atriz incluídas nas falas e também algumas improvisações.
- O trailer do personagem do Corvo já tinha pertencido ao ator Domingos Montagner: "Quando eu  cheguei pra filmar encontrei vários amigos do circo tradicional em SP, e eles falavam:
_ pô que legal, você vai gravar no seu trailer
_não, no meu trailer, acho que não
Ai fui entrando lá na parte dos trailer, quando eu vi, o trailer que a Julia tinha escolhido no pátio, porque era um circo mesmo montado, em cartas, os artistas tavam lá se montando, ela foi lá e escolheu um trailer que seria o do Corvo, ai quando eu fui ver ela tinha escolhido um que realmente tinha sido meu , meu primeiro trailer , do meu circo Zanni, a gente montou o circo e o primeiro trailer que eu tive foi esse, depois saiu da minha mão foi parar com um amigo de circo, que era de outro circo e ai caiu nesse circo e foi o trailer que foi escolhido. Ai eu realmente achei que era eu que tinha que fazer esse personagem. Fiquei um pouco mais seguro."


Veja abaixo a mini entrevista que fizemos com os atores (e eu esquecendo a pergunta por puro nervosismo hehe):






CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb


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