quarta-feira, 31 de agosto de 2016

Aquarius

gênero: Drama
duração: 2h 22 min
ano de lançamento: 2016
estúdio: CinemaScópio Produções
direção: Kleber Mendonça Filho
roteiro: Kleber Mendonça Filho
fotografia: Pedro Sotero, Fabricio Tadeu
direção de arte: Juliano Dornelles, Thales Junqueira

TEXTO PRODUZIDO PARA CENTRAL 42

Clara mora no edifício Aquarius, em Recife, último com arquitetura antiga da orla. Uma construtora tem planos de erguer ali um prédio mais moderno e conseguiu adquirir todos os outros apartamentos, que estão vazios. Clara deixa claro que não tem intenção de vendê-lo mas passa a sofrer todos os tipos de pressão para mudar de idéia.
Desde sua estréia em Cannes esse filme vem sendo envolvido em várias polêmicas. Não vou falar sobre isso aqui, deixarei para que tirem suas conclusões ao lerem a matéria sobre a coletiva.
O diretor, Kleber Mendonça Filho, saiu do quase anonimato com "O Som Ao Redor", o que fez com que as expectativas sobre Aquarius se elevassem muito. Não sou muito fã do primeiro filme citado, o acho arrastado e com atuações - por parte dos atores desconhecidos - um pouco duvidosas.
Aquarius mantêm um ritmo lento similar, mas isso te ajuda a embarcar na trama e nos sentimentos dos personagens.
Inclusive, sobre eles, temos aqui um elenco de primeira. Humberto Carrão convence muito no papel de um rapaz que tenta ser simpático e agradável mas que na realidade se trata apenas de um menino rico e mimado. Também podemos observar uma evolução a olhos nus de Maeve Jinkings que em "O Som Ao Redor" não mostra muito seu potencial e aqui se doa em uma relação conflituosa com a mãe.
Falando em sua mãe, Sônia Braga cria de tal forma sua personagem que o telespectador não consegue tirar os olhos dela. Sim, é uma mulher de idade, um pouco afastada da família e sem muitos afazeres, mas não menos decidida ou sem vontades. 
Todas essas atuações são levadas por uma trilha sonora que com certeza te despertará algum saudosismo, mesmo que não seja da sua época nem mesmo de sua infância. Cada segundo de música é milimetricamente casado com a cena em questão.

Para deixar tudo ainda mais realista, a cenografia constrói ambientes que remetem realmente a uma casa brasileira, e não aqueles ambientes perfeitamente decorados, com objetos que recordam a casa de uma avó ou uma tia, que remetem a forma do brasileiro padrão montar seu lar.

Claro que o filme não se trata apenas de beleza estética. Estamos tratando aqui de uma obra que questiona a transformação de uma sociedade, a forma como as cidades vão esquecendo sua história em prol do luxo. 
Além disso, ainda está ali o conflito entre o velho e o novo no quesito ser humano. A partir de que ponto alguém deixa de ter valor para a comunidade? Quando que as vontades e desejos param de existir? Em que momento uma mulher para de ter o direito de sentir tesão?

Ao contrário do diretor, eu acredito que o filme cabe sim dentro da censura de +18, porém não se compara a filmes como "Ninfomaníaca", por exemplo. Entretanto é obrigatório para todos que já passaram dessa idade.



CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

terça-feira, 30 de agosto de 2016

Lawrence da Arábia

título original: Lawrence of Arabia
gênero: Épico, Aventura
duração: 03h 36 min
ano de lançamento: 1962
estúdio:  Horizon Pictures
direção: David Lean
roteiro:  T.E. Lawrence, Robert Bolt, Michael Wilson
fotografia:
Freddie Young
direção de arte: John Box

Primeira Guerra Mundial, entediado com suas atividades no Cairo o tenente Lawrence aceita a missão de ser o oficial de ligação entre os rebeldes árabes e o exército britânico, para se tornarem aliados contra os turcos. Lawrence se apaixona pela vida no deserto e decide ajudar os árabes a se tornarem um povo livre.
Para assistir a esse filme tem que se ir preparado para alguns pontos: ele tem mais de 50 anos de criação, é um filme histórico - o que pode deixar alguns pontos um pouco confusos, e ele tem quase QUATRO horas de duração. Consciente disso tudo fica mais fácil estar em forma para o que vem. E o melhor, realmente aproveitar a experiência.
Confesso que achava que seria um filme arrastado e confuso, mas muito pelo contrário, tive a sensação de estar assistindo a um filme de duração comum e acredito que parte da história dos países árabes ficou mais clara para mim.
Isso sendo valorizado ainda mais por uma fotografia de deixar qualquer um com o queixo caído. A trilha sonora também ajuda, típica de um épico e grandiosa, entretanto chega um ponto que parece que está a ouvir variações da mesma música. Com certeza ficará com ela na cabeça por alguns dias.
Peter O'Toole está ótimo no papel do excêntrico Lawrence, principalmente a partir do ponto que o poder e a fama passam a subir à cabeça e ele começa a sair de si.
Omar Sharif, egípcio de nascença, talvez tenha usado do seu conhecimento cultural para construir um personagem, a princípio repugnante, mas que depois passa a ganhar o carinho do público.
Com certeza é um épico clássico que atravessou décadas e continua muito atual.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

A Um Passo da Eternidade

título original: From Here to Eternity
gênero: Drama, Romance, Guerra
duração: 01h 58 min
ano de lançamento: 1953
estúdio: Columbia Pictures Corporation
direção: Fred Zinnemann
roteiro:  Daniel Taradash, James Jones
fotografia: 
Floyd Crosby, Burnett Guffey


1941, Robert Prewitt é um soldado que pede transferência e acaba indo parar na base militar doo Havaí. Se novo capitão, sabendo que ele é um bom boxeador o deseja em sua equipe, mas Prewitt não deseja mais lutar. Ele passa então a humilhar o soldado de todas as formas possíveis para tentar coagi-lo a mudar de ideia. 
Esse filme marcou época por ter uma cena "indecente" de um casal se beijando enquanto rolam por uma praia. Esse é o motivo pra se assistir ao filme atualmente e também seu maior problema. Porque o filme é extremamente datado e há limites no esforço para assistir a um filme com o olhar da época.
Afinal não se trata só do beijo, mas da mulher adúltera, do soldado namorando uma prostitua - que é vista como mocinha na história, das cenas de "extrema" violência. Tudo, com certeza, foi muito chocante na época, hoje em dia se trata quase de uma comédia romântica.  
Mesmo assim a história é agradável e prende a atenção, e ganha mais agilidade depois de se iniciar o ataque a Pearl Harbor.
Burt Lancaster é um gentleman mesmo quando está sendo um babaca, Montgomery Clift mais uma vez faz um rapaz soturno e levemente rebelde, Deborah Kerr e Donna Reed atendem ao esperado. Mas quem rouba mesmo a cena é Frank Sinatra fazendo uma figura cômica e cativante.
Vale por ser um clássico, mas com certeza não provocará tanto entusiasmo e choque em você como foi na época.

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb

A Conversação

título original: The Conversation
gênero: Suspense, Drama
duração: 1h 53 min
ano de lançamento: 1974
estúdio: The Directors Company
direção: Francis Ford Coppola
roteiro: Francis Ford Coppola
fotografia: Bill Butler, Haskell Wexler
direção de arte: Dean Tavoularis

Harry Caul trabalha como detetive particular, sendo um dos maiores expert em vigilância da área. Ao ser contratado por um diretor de uma empresa para seguir um casal de amantes ele sente o perigo de uma história do seu passado se repetir.
Coppola produziu esse filme entre as produções de "O Poderoso Chefão" e aqui está uma prova de como esse diretor é versátil e criativo.
Pode não ser um filme tão envolvente e denso quanto o citado acima, mas a trama traz muitas questões à tona.
A habilidade de Caul de investigação, o que soluciona as paranóias de seus clientes, acaba trazendo para si mesmo esses problemas. A forma como o personagem vai se transformando durante o filme, de alguém super atento em alguém que não sabe mais no que confiar, ou o que é real ou não, é incrível.
A fotografia é em grande parte escura e a trilha sonora quase ausente, o que colabora com a criação de um ambiente de suspense.
Gene Hackman está um pouco mais contido do que como costumamos vê-lo, mas de um forma coerente com o que o personagem pede. Harrison Ford, novinho de tudo, já mostra a que veio mesmo antes de entrar na saga "Star Wars".

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

domingo, 28 de agosto de 2016

Aconteceu Naquela Noite

título original: It Happened One Night
gênero: Comédia Romântica
duração: 1h 45 min
ano de lançamento: 1934
estúdio:  Columbia Pictures Corporation
direção: Frank Capra
roteiro: Robert Riskin, Samuel Hopkins Adams
fotografia: Joseph Walker

Elle, filha de um milionário, foge a nado do barco do pai para ir de encontro com seu marido - homem que o pai não aprova. No ônibus em que embarca, Elle conhece Peter, um jornalista desempregado. Ele vê nela uma ótima oportunidade de escrever uma grande matéria, mas as circunstâncias acabam os aproximando.
Estamos falando aqui de uma comédia dos anos 30, então a cabeça já tem que estar direcionada para a idéia de que se trata de um filme bem água com açúcar. Mesmo assim as piadas são muito bem colocadas e a trama não fica piegas.
A fotografia é bonita e traz um brilho a mais para o romance em construção.
Mas o que deixa a trama interessante para valer é a interação entre o "homem das ruas" e a "mocinha mimada", como ele a ensina a viver no mundo real. Clark Gable e Claudette Colbert têm uma química ótima com certeza levam a história nas costas, fazendo que um filme - que poderia ser apenas o pai das comédias românticas - se torne algo maior e mais interessante.

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb

sábado, 27 de agosto de 2016

O Sono da Morte

título original: Before I Wake
gênero: Terror, Fantasia
duração: 1h 37 min
ano de lançamento: 2016
estúdio: Intrepid Pictures
direção: Mike Flanagan
roteiro: Mike Flanagan, Jeff Howard
fotografia: Michael Fimognari
direção de arte: Patricio M. Farrell

TEXTO PRODUZIDO PARA CENTRAL42

Após perderem o filho, Jessie e Mark decidem adotar um garoto de mesma idade. Eles recebem de braços abertos Cody e o menino se adapta bem à nova família. Porém o garoto tem poderes: tudo que sonha vira realidade, principalmente seus pesadelos.
Sempre, ao assistir um filme de terror, temos de deixar nossa racionalidade de lado. Afinal, pensando friamente, ninguém que está pressentindo um perigo à sua vida vai de encontro ao que pode lhe matar, muito pelo contrário. 
Tendo isso bem claro em mente fica muito fácil aproveitar esse e qualquer outro filme de terror.
Principalmente porque estamos falando de uma daquela tramas que não é cheia de correrias e muito sangue espirrando, mas sim de um roteiro que te fará pular da poltrona com uma boa frequência. E daquele tipo de susto que você sabe que está por vir, que está ali respirando na sua nuca, e mesmo assim não consegue evitar.
Entretanto, mesmo essa linha do filme sendo boa, a história desanda para um quase melodrama depois que Jessie descobre os poderes de Coby e passa a investigar seu passado, o que para muitos pode ser uma conclusão abaixo do nível geral da produção.
Os efeitos especiais são bem feitos, bonitos e assustadores ao mesmo tempo, trazendo a parte fantasiosa do filme o mais próximo possível da realidade.
Quanto ao elenco: Kate Bosworth é um pouco sem sal mas consegue fazer o necessário; já Thomas Jane é sofrível, seu personagem parece mais uma caricatura do que uma pessoa real; quem segura mesmo as pontas é Jacob Tremblay, no papel de um garoto bom que não consegue controlar as coisas ruins que acontecem por sua causa.
Enfim, por mais que o filme tenha lá seus clichês e dê suas escorregadas, no todo temos uma boa obra de terror que cumpre ao que veio: assustar e te deixar tenso do início ao fim. Muito disso graças a uma boa trilha sonora e ao bom uso do silêncio nos momentos certos e a uma fotografia que sempre te deixa procurando coisas por todo o enquadramento.

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb


quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Terra Em Transe

gênero: Drama
duração: 01h 51 min
ano de lançamento: 1967
estúdio: Mapa Filmes
direção: Glauber Rocha
roteiro: Glauber Rocha
fotografia: Luiz Carlos Barreto

Eldorado, o jornalista Paulo abandona a proteção política do senador Diaz para apoiar o populista Vieira; mas quando esse deixa de cumprir suas promessas e abafa uma revolta de camponeses, Paulo resolve retornar a sua vida antiga mas é convencido por sua amante, Sara, que ele deve ajudar a destruir Diaz.

Um filme produzido poucos anos após o golpe militar no Brasil e que, mesmo se passando em um país fictício, retrata bem a realidade da época. Tanto que teve problemas com a censura e foi proibido em todo território nacional por ser considerado subversivo. E não só no Brasil, foi proibido pela censura portuguesa até 1974. 
O mais interessante aqui é que ele não é só uma análise política, mas também poética, da sociedade; uma crítica pungente aos conservadores, aos populistas, à união entre políticos, empresários e mídias em função do poder.

Junte ainda a isso uma forma de dirigir e filmar experimental, trazendo cortes e sequências inovadoras. Tudo muito bem conduzido por uma trilha sonora que mistura samba, Villa-lobos e ópera.
Tudo isso muito bem amarrado com atuações de cair o queixo. Jardel Filho e José Lewgoy estão completamente entregues a seus personagens. Agora, Paulo Autran domina, se você ainda tinha alguma dúvida da qualidade desse ator - o que acho difícil - é aqui que há a confirmação de sua maestria. Não exagero quando digo que, em sua última cena nesse filme, me peguei o aplaudindo.
Se possível, assista com um caderninho do lado para ir anotando as suas frases e diálogos favoritos, só corre o risco de acabar anotando o roteiro todo.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb


quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Reza a Lenda

gênero: Aventura, Ação
duração: 01h 27 min
ano de lançamento: 2016
estúdio: Bionica Filmes
direção: Homero Olivetto
roteiro: Homero Olivetto, Patrícia Andrade, Newton Cannito
fotografia: Marcelo Corpanni
direção de arte: Valdy Lopes

Em uma terra sem lei, um bando de motoqueiros cruza as estradas em busca de uma lenda que promete trazer liberdade e chuva ao povo: uma santa que precisa ser colocada no lugar certo. Porém ela está nas mãos do poderoso Tenório que, após perdê-la, promete destruir todo o bando.
Quando vi o trailer desse filme fiquei bem curiosa. Mas ao estrear no cinema ouvi muitas críticas ruins e acabei desanimando. Esses dias peguei passando na TV e resolvi dar uma chance. Devia ter assistido antes.
Tudo bem que o roteiro podia ter sido um pouco melhor elaborado; mesmo assim é um filme que foge de qualquer coisa que já foi produzido no Brasil, atingindo patamares bem inovadores.
Tanto a história quanto sua produção têm, claramente, inspirações nos filmes de faroeste e no clássico "Mad Max". Inclusive vinha sendo divulgado como "Mad Max Brasileiro", o que acho um pouco de exagero.
Sophie Charlotte está bem acima da média que a costumamos ver na TV; Cauã Reymond, Humberto Martins e Luisa Arraes cumprem o esperado mas não impressionam. Agora, Júlio Andrade - como bruxo - pode não aparecer muito mas impressiona.  
Mesmo assim merece receber sua atenção pela trilha sonora, fotografia e direção de primeira. Feitas de forma nunca vista antes no cinema nacional.

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb

terça-feira, 23 de agosto de 2016

Nerve - Um Jogo Sem Regras

título original: Nerve
gênero: Aventura, Suspense
duração: 01h 36 min
ano de lançamento: 2016
estúdio: Allison Shearmur Productions
direção: Henry Joost, Ariel Schulman
roteiro: Jeanne Ryan, Jessica Sharzer
fotografia: Michael Simmonds
direção de arte: Chris Trujillo

TEXTO PRODUZIDO PARA CENTRAL42

Vee é uma garota tímida que vive à sombra dos amigos. Ao ser desafiada a participar do jogo online NERVE, onde você pode ser um Jogador e aceitar desafios ou ser apenas um Observador, ela sai dos bastidores da vida e assume os merecidos holofotes. Porém, ela acaba formando uma dupla com um garoto, Ian, e conforme eles vão se tornando imbatíveis a situação começa a ficar perigosa.
O filme é baseado no livro homônimo de Jeanne Ryan. Não só por ser uma adaptação, mas o formato da história me lembrou bastante outras séries adolescentes como "Jogos Vorazes" e "Divergente"Jovens envolvidos com jogos e/ou perigos maiores do que a própria estrutura da sociedade.
Entretanto esse tem ares mais relaxados, tendo cenas divertidas e com sua trama inserida na realidade da vida adolescente, e não em um mundo pós apocalíptico ou coisa parecida. Apesar que se nos aprofundarmos no jogo NERVE podemos tirar conclusões bem introspectivas.
A forma como ele é jogado pode parecer exagerado ou até mesmo irreal, mas se pararmos para pensar em como os jovens vêm lidando com as redes sociais e a necessidade de se tornarem famosos, ou ao menos ter 15 minutos de fama, o que é mostrado no filme fica bem mais próximo de nossa realidade.
Quanto ao elenco: as atuações não são muito superiores ao que vemos em "Malhação", serve ao propósito mas não impressiona. Inclusive outra coisa em que se assemelha à novela global, e que é bastante questionável, é ter vários atores acima dos 25 ou quase beirando os 30 interpretando adolescentes. Como alguém pode acreditar que Kimiko Glenn e Samira Wiley (ambas vindas de Orange Is The New Black) tem idade para estar no Ensino Médio?
Ainda sobre as atuações, é triste ver Juliette Lewis reduzida ao papel de uma mãe insignificante. Emma Roberts e Dave Franco constroem uma boa química, mas individualmente não se destacam.
Voltando aos pontos altos temos a fotografia e direção que cravam claramente qual seu público ao conduzir o filme por bate-papos online e video chamadas, não deixando de lado os bugs de vídeos conhecidos dos usuários. Mesmo tendo tomadas de dentro dos computadores, tablets e celulares, nada parece forçado. A tecnologia é intrínseca e quase um terceiro membro dos humanos.
Como entretenimento provavelmente só agradará o público mais jovem, mas se tentarmos vermos os pontos mais profundos do enredo pode acabar agradando a grande maioria.

CLASSIFICAÇÃO: REGULAR

Poster e Ficha Técnica: IMDb

sábado, 20 de agosto de 2016

Caminhando Nas Nuvens

título original: A Walk In The Clouds
gênero: Romance
duração: 01h 42 min
ano de lançamento: 1995
estúdio: Twentieth Century Fox Film Corporation
direção: Alfonso Arau
roteiro:  Robert Mark Kamen, Mark Miller, Harvey Weitzman, Piero Tellini, Cesare Zavattini, Vittorio de Benedetti
fotografia: Emmanuel Lubezki
direção de arte: David Gropman

Paul retorna da guerra para os braços da esposa que mal conhece por terem se conhecido e casado três dias antes dele partir para o front. Ele parte em uma viagem de negócios, pensando nas diferenças existentes entre eles, no caminho conhece uma moça, Vitória, que está retornando para a casa dos pais preocupada com a reação do pai quando descobrir que está grávida. Ele decide, então, ajudá-la fingindo ser seu marido.

O roteiro tem tantos clichês que eu prefiro nem listar se não contaria o filme todo. Situações impulsivas entre completos estranhos, difíceis de acontecer hoje em dia imagine então há 70 anos atrás; reviravoltas previsíveis e paixonites agudas.
Keanu Reeves e Aitana Sánchez-Gijón parecem dois bonecos de cera em suas atuações, Giancarlo Giannini está muito caricato e exagerado, o único que parece com uma pessoa normal é Anthony Quinn.
O ponto alto do filme é fotografia, muito bonita, apesar de claramente muito retocada na pós-produção.

Só assista se for do tipo que gosta de muito açúcar.

CLASSIFICAÇÃO: RUIM

Poster e Ficha Técnica: IMDb

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Vidas Secas

gênero: Drama
duração: 01h 43 min
ano de lançamento: 1963
estúdio: Luiz Carlos Barreto Produções Cinematográficas
direção: Nelson Pereira dos Santos
roteiro:   Nelson Pereira dos Santos, Graciliano Ramos
fotografia: Luiz Carlos Barreto, José Rosa

Fabiano, Vitória, seus dois filhos e a cachorra baleia peregrinam pelo sertão brasileiro tentando sobreviver.
O filme é baseado na obra, de mesmo nome, de Graciliano Ramos. Acho importante relatar minha experiência com o livro antes, para que tudo fique bem contextualizado. Esse livro foi leitura obrigatória na minha 6ª série e só posso afirmar uma coisa: não é texto para crianças de 12/13 anos. A única lembrança que tenho é que odiei e foi muito cansativo.

Voltando ao filme, Nelson Pereira dos Santos conseguiu fazer uma ótima releitura para o cinema desse clássico nacional. Temos aqui uma obra crua e realista que mostra de forma sincera as dificuldades do povo sertanejo. Tudo é retratado de forma tão natural que parece até ser apenas uma câmera acompanhando uma família de retirantes, e não uma ficção. 
A ausência de trilha sonora faz com que tudo fique ainda mais dolorido. Principalmente o clímax da história, envolvendo baleia.
Deixemos claro que os pontos que acabei de elogiar também pode tornar o filme um pouco arrastado e cansativo.

Não acredito que seja apenas obrigatório de assistir por se tratar de um divisor de águas no cinema nacional, mas por retratar de verdade uma parcela da realidade brasileira.
Quanto ao livro, fiquei com vontade de relê-lo após assistir ao filme.

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb


quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Ben-Hur 2016

título original: Ben-Hur
gênero: Épico, Aventura, Drama
duração: 02h 03 min
ano de lançamento: 2016
estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
direção: Timur Bekmambetov
roteiro:  Lew Wallace, Keith R. Clarke, John Ridley
fotografia: Oliver Wood
direção de arte: Naomi Shohan

TEXTO PRODUZIDO PARA CENTRAL42

Baseado no livro homônimo de Lew Wallace, escrito em 1880, o filme conta a história de Judah Ben-Hur, um príncipe judeu contemporâneo a Jesus Cristo, que se torna escravo após ser traído pelo melhor amigo, Messala. Ben-Hur começa, então, uma longa jornada em busca de vingança e justiça.
Existem algumas versões dessa história para o cinema, a mais conhecida é a de 1959 com Charlton Heston no papel principal e que levou nada menos que 11 Oscars. Muitos consideram a nova produção de 2016 como um remake, entretanto acredito que não devemos ver dessa forma.
Por que? Simples. A história é a mesma? Sim, afinal são baseadas na mesma fonte. Porém, a forma como a trama é conduzida é bem diferente. Se trata do mesmo filme, mas não é apenas um remake, é uma criação própria. 
Mesmo assim, para quem viu o antigo, fica difícil não fazer comparações, por isso vou listar algumas diferenças no decorrer do texto.
No filme de 1959 temos uma história com 3h30 de duração, um pouco arrastada e com uma boa parte da trama dedicada ao romance entre Judah e Esther. Ilderim, mestre de Ben-Hur, funciona quase como um alívio cômico. Também, antes da corrida principal de bigas, há todo o trajeto de Ben-Hur como corredor, inclusive se tornando um dos mais famosos.
Já na produção de 2016 o roteiro ganha um ritmo melhor, conseguindo reduzir em 1h30 o filme ao focar em outros pontos da construção do enredo. Como, por exemplo, um maior foco na amizade entre Judah e Messala, relatada desde antes deste virar um tribuno militar, e também a relação do personagem principal com Jesus Cristo 
- que ganhou mais espaço na história. Quanto a Ben-Hur como corredor, é apenas mostrado seu treinamento para a corrida principal, nada dá a entender que ele se tornou um profissional como no filme anterior.
Ainda contrapondo os filmes: não é à toa que o antigo ganhou tantos Oscars, foi uma produção megalomaníaca que garantiu seu lugar entre os clássicos. Hoje em dia, com todas as opções de pós-produção que temos, podemos acabar por desmerecer essa nova versão acreditando que tudo é feito digitalmente, mas aí que nos enganamos - grande parte do filme foi feito em locações, inclusive as cenas da crucificação e da corrida de bigas.
Em relação ao elenco, merece destaque o trio principal. Tobby Kebbell consegue passar, de forma controlada, um rancor enrustido pelas diferenças culturais existente entre Messala (romano) e a família Ben-Hur (judeus). Jack Huston, como disse em coletiva, se afastou da figura heróica que Charlton Heston construiu, mostrando mais a transformação que Ben-Hur passa de um menino para um homem. E, por incrível que pareça, Morgan Freeman não se destaca muito, o que não quer dizer que esteja mal, só não rouba a cena como de costume.
Rodrigo Santoro, prata da casa, merece um parágrafo só dele. Apesar da participação maior de Jesus nesse filme, ele deve aparecer em uns 20 minutos do filme.  Para quem se lembra, no filme de 1959, Jesus não fala, nem ao menos mostra o rosto. Nesse, ele cria um elo com Ben-Hur. O personagem foi construído de forma simples, na intenção de mostrar um homem de carne e osso com uma bela mensagem, uma figura mais acessível. Arrisco dizer que é uma das melhores interpretações de Jesus que já vi, mesmo para quem não é religioso fica difícil não se emocionar nas cenas da Via Crucis e da Crucificação.
O único ponto que poderia ser melhor foi a escolha da trilha sonora, ao optar por músicas mais modernas acredito que perderam a chance de enfatizar o estilo épico do filme, o qual seria melhor construído com músicas instrumentais.
Finalmente, o que posso concluir é que é uma produção de primeira, com cenas de ação de deixar qualquer um de boca aberta, que mesmo contando uma história já conhecida conseguiu inovar contando-a de outra forma e, com certeza, superou o fantasma do remake ao construir um novo filme e não uma repetição.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Meu Ódio Será Sua Herança

título original: The Wild Bunch
gênero: Faroeste, Ação
duração: 2h 25 min
ano de lançamento: 1969
estúdio: Warner Brothers/Seven Arts
direção: Sam Peckinpah
roteiro: Walon Green, Sam Peckinpah, Roy N. Sickner
fotografia: Lucien Ballard

Um grupo de foras-da-lei se disfarça de soldados para assaltarem o banco de uma cidade, após caírem em uma armadilha fogem para o México. Para poderem se aposentar decidem cumprir um última tarefa: roubar um trem carregado de armas para a milícia mexicana.
O filme começa com uma sequência incrível de um tiroteio envolvendo vários inocentes em uma passeata intercalada por cenas de crianças jogando formigas sobre um escorpião e botando fogo neles. É um início incrível que joga a expectativa lá para cima.
Mas aí vem mais duas horas de filme quase parado, trabalhando clichês do gênero faroeste: bandidos sendo perseguidos, caçadores de recompensa em busca de dinheiro e liberdade, deserto sendo cruzado eternamente.
Daí vem os últimos vinte minutos de filme, e volta a mesma sensação do comecinho do filme. Uma cena de tiroteio que com certeza inspirou Tarantino. Muita ação, muito sangue, nenhuma esperança de final feliz.
A fotografia é bacana, a trilha também é boa e as atuações estão a altura das duas cenas que indiquei. Mas o filme, no todo, acaba sendo cansativo. Muitos dizem que Sam Peckinpah trouxe o domínio do gênero de volta aos americanos com esse filme, tirando-o das mãos de Sergio Leone, eu ainda prefiro os filmes do último.

CLASSIFICAÇÃO: REGULAR

Poster e Ficha Técnica: IMDb


terça-feira, 16 de agosto de 2016

Distrito 9

título original: District 9 
gênero: Ação, Ficção Científica 
duração: 01h 52 min
ano de lançamento: 2009
estúdio: TriStar Pictures
direção: Neill Blomkamp
roteiro: Neill Blomkamp, Terri Tatchell
fotografia: Trent Opaloch
direção de arte: Philip Ivey

Johannesburg, África do Sul. Alienígenas aterrissam na região e acabam isolados em uma favela nos limites da cidade. Após ficar responsável pela desocupação da área, Wikus acabará tendo muito mais contato com os E.T.s do que desejava.
A produção teve custos "pequenos" se pensarmos na maior parte dos filmes do gênero, o que é impressionante pelo trabalho que fizeram. Todos os efeitos são muito bem realizados e introduzidos no "mundo real" de fora satisfatória.
As inserções em formato de documentário também ajudam a criar esse ambiente de realidade na trama, deixando mais crível a possibilidade de alienígenas serem exilados por aqui.
Mas o que me fez respeitar mesmo esse filme foi o que está nas entrelinhas do roteiro. Eles usam uma trama sobre E.T.s na Terra para, na verdade, criticar as castas sociais, a forma como algumas pessoas são exiladas dentro de suas próprias cidades. Também dá para fazer essa relação com refugiados e a forma como são recebidos em outros países.
Assim como em "Elysium", Neill Blomkamp cria muito mais do que só um filme de sci-fi, ele faz uma grande crítica social.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb