quinta-feira, 31 de março de 2016

O Impossível

título original: The Impossible
gênero: Drama, Suspense
duração: 1h 54 min
ano de lançamento: 2012
estúdio:  Mediaset España
direção: J.A. Bayona
roteiro: Sergio G. Sánchez, María Belón
fotografia: Oscar Faura
direção de arte: Eugenio Caballero

De férias, um casal e seus trilhos viajam para a Tailândia. Porém, logo após o Natal, um tsunami devastador atinge o local, carregando tudo que encontra pela frente. Separados, eles tentam se reencontrar ou pelo menos descobrir o que aconteceu com os outros.
Não é somente um filme tragédia sobre o tsunami ocorrido em 2004, mas se baseia na história real de uma família, o que deixa tudo mais crível. Afinal, vamos combinar, se não fosse comprovadamente baseado em algo real pareceria bem difícil de ter acontecido.
Vi as chamadas para esse filme na TV e achei que seria tosco. Por acaso acabou ficando no canal, comecei a assistir e me prendeu completamente.
Primeiro que as cenas da água carregando coisas e pessoas é incrivelmente bem feita, principalmente as em que as personagens submergem.
Outro ponto forte são as atuações, em destaque das crianças. A cada cena de Tom Holland mais ele mostra a que veio.
A coisa toda vai acontecendo de um jeito, que primeiro você se assusta, depois sente asco das cenas envolvendo ferimentos, até que a busca ininterrupta pelos parentes te envolve de tal forma que, quando os irmãos se encontram a única opção é se derreter em lágrimas junto a eles. (Inclusive, atuação magistral dos pequenos nesse momento)

Não dava nada no começo, terminei me arrependendo de não ter visto antes.

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb

quarta-feira, 30 de março de 2016

Sem Novidade no Front

título original: All Quiet on the Western Front
gênero: Drama, Guerra
duração: 2h 16 min
ano de lançamento: 1930
estúdio:  Universal Pictures
direção: Lewis Milestone
roteiro: Erich Maria Remarque , Maxwell Anderson, George Abbott, Del Andrews, C. Gardner Sullivan, Walter Anthony, Lewis Milestone
fotografia: Arthur Edeson, Karl Freund

Sete estudantes alemães se alistam ao serviço militar, no início da Primeira Guerra Mundial, instigados por um professor com um discurso nacionalista. Chegando ao treinamento, e depois ao front, eles percebem que a guerra não era algo tão honroso como lhes foi narrado.
Primeiro é muito interessante observar como o filme é pacifista, trabalhando muito os questionamentos sobre as loucuras e futilidades da guerra, além de a quem ela atende (há um diálogo muito bom sobre o que indústrias e governo  ganham com a guerra). Inclusive é considerado um dos maiores filmes anti-guerra de todos os tempos.
Outro ponto que achei incrível foram as próprias cenas de guerra, não é atoa que foi considerado um dos filmes mais violentos da época. Além disso, a forma como são feitas as tomadas, dinâmicas e intensas, faz com que um desavisado - que pegue o filme no meio - acredite que seja um filme atual e não de 1930.
Fiquei curiosa se, a cena dos novatos no alojamento, pode ter inspirado Stanley Kubrick em "Nascido Para Matar". Vi algumas similaridades entre os dois.
Obrigada "1001 filmes para ver antes de morrer" por mais uma descoberta incrível.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

terça-feira, 29 de março de 2016

Frankenweenie

título original: Frankenweenie
gênero: Animação, Comédia, Terror
duração: 1h 27 min
ano de lançamento: 2012
estúdio:  Walt Disney Pictures
direção: Tim Burton
roteiro: Leonard Ripps, Tim Burton, John August
fotografia: Peter Sorg
direção de arte: Rick Heinrichs

Victor é um garoto introspectivo que conta muito com a companhia de seu cachorro, Sparky. Infelizmente ele é atropelado e morre. Inspirado pelo concurso de ciências da escola, Victor cria um projeto que traz Sparky de volta à vida.
Tim Burton fez um curta com o mesmo roteiro em 1984 e o transformou em filme de animação quase 20 anos depois.
O diretor voltou a suas origens, nos stop-motions, de maneira graciosa.
Além de lembrar muito, obviamente, trabalhos anteriores como "O Estranho Mundo de Jack" ou "Vincent", o roteiro ainda homenageia de forma divertida o clássico "Frankenstein".
Como é padrão, o filme trabalha também aquele perfil de crianças "estranhas", que normalmente sofrem bullying, e ainda não encontraram seu lugar na sociedade, mesmo sendo muito talentosas.
Uma ótima diversão, um pouco bizarra para alguns talvez, mas um estilo que gosto.

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb

domingo, 27 de março de 2016

Os Dez Mandamentos

título original: The Ten Commandments
gênero: Drama, Épico
duração: 3h 40 min
ano de lançamento: 1956
estúdio:  Motion Picture Associates
direção: Cecil B. DeMille
roteiro: Dorothy Clarke Wilson, J.H. Ingraham, A.E. Southon, Æneas MacKenzie, Jesse Lasky Jr., Jack Gariss, Fredric M. Frank
fotografia: Loyal Griggs

Após ser largado no Nilo ainda bebê, Moisés, é encontrado pela irmã do faraó e criado como da família. Quando descobre sua verdadeira origem e ouve a mensagem de Deus resolve libertar seu povo, os hebreus, da escravidão e levá-los à terra prometida.
Não precisa ser religioso para conhecer essa história, quem já assistiu a animação "O Príncipe do Egito" a conhece bem. Mas estamos falando aqui de um dos maiores épicos da história do cinema.
Não por isso se torna um filme fácil e divertido, estamos falando de quase 4 horas de uma história bíblica.
Mesmo assim vale para ver uma super produção e efeitos surpreendentes para um filme da década de 50.
Esse papel marcou definitivamente a carreira de Charlton Heston, que sofre uma transformação tremendo do começo ao fim do filme.
Pela segunda vez tenho contato com o trabalho de Yul Brynner e cada vez mais tenho certeza que nasceu para papéis altivos e poderosos.

Vale por sua importância para a história do cinema, mas aviso que não é fácil, principalmente para quem - assim como eu - não gosta muito de fanatismo religioso.

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb

O Grande Gatsby

título original: The Great Gatsby
gênero: Drama, Romance
duração: 2h 23 min
ano de lançamento: 2013
estúdio: Warner Bros.
direção:  Baz Luhrmann
roteiro:  Baz Luhrmann, Craig Pearce, F. Scott Fitzgerald
fotografia: Simon Duggan
direção de arte: Catherine Martin, Karen Murphy

Nick é um aspirante a escritor que se muda para Nova York para trabalhar na bolsa. Lá ele conhece Gatsby, seu vizinho milionário, misterioso e festeiro. Do outro lado da baía mora sua prima e seu esposo em uma grande casa luxuosa. Assim, Nick entra no mundo envolvente dos milionários, cheios de festas e ilusões.
Quando vi a primeira adaptação para o cinema, de 1974, ainda não tinha lido o livro e achei a história bem enfadonha.(preciso reassistir inclusive)
Mas li agora, no começo do ano, e resolvi assistir a essa adaptação mais recente para comparar enquanto ainda está fresco na cabeça.
Não há o que falar sobre o roteiro, essa trama é incrível, trabalha bem as futilidades de uma vida de luxos e a falta de interesse pelo que não está nesse círculo. A forma como é conduzido o romance e o suspense é envolvente.
Leonardo DiCaprio parece ter encarnado o Jay Gatsby que imaginei enquanto lia. Já Tobey Maguire deu um toque muito mais de bundão ao personagem do que como eu o imaginava.
Agora, quanto o resto. Por mais que a história seja contada da perspectiva de um "caipira" vindo pra capital, acho que o ritmo ficou muito rápido e acaba atropelando a visão mais aprofundada das futilidades de cada indivíduo.
Outro ponto é a trilha sonora. O filme se passa na década de 20, o auge do jazz, eles tinham um prato cheio e resolveram trabalhar com músicas muito atuais, o que - para mim - estragou o clima. A única coisa que conseguia pensar era: "O que Jay Z e Beyonce estão fazendo ai?"
Agora, o que me incomodou de verdade foi a fotografia. É tudo lindo e muito colorido, mas de uma forma tão exagerada que perde a mão. Parece que fizeram o filme inteiro na frente de um cromaqui. Além disso, tudo está tão tratado para parecer luxuoso e vívido que em algumas cenas fiquei com a sensação que a luz estava completamente errada. Por exemplo, a cena em que Daisy e Gastby conversam embaixo de uma árvore à noite, eles estão iluminados como se estivessem em campo aberto de dia.

Pode ser um prato cheio para quem não leu o livro e gosta de imagens super-produzidas. Pra mim faltou profundidade e sobrou pós-produção.

CLASSIFICAÇÃO: REGULAR

Poster e Ficha Técnica: IMDb 

terça-feira, 22 de março de 2016

O Monstro do Circo

título original: The Unknown
gênero: Drama, Terror
duração: 1h 03 min
ano de lançamento: 1927
estúdio:  Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
direção: Tod Browning
roteiro:  Tod Browning, Waldemar Young, Joseph Farnham, Mary Roberts Rinehart
fotografia: Merritt B. Gerstad

Em um circo, um atirador de facas - sem braços - faz sucesso por atirá-las com os pés. Apaixonado por sua assistente, e filha do circo, ele esconde um grande segredo.
Filme curto, mas nem por isso menos valioso.
Estou acostumada a ver elementos batidos trabalhados em filmes mudos, como romances, honra ou filmes de terror caricatos. São bons filmes, interessantes, mas nada que traga um elemento surpresa.
E é aqui que esse se diferencia. Apesar de ter algumas situações pitorescas, o terror é psicológico. E é muito bem trabalhado. Além disso ao todo um drama psicossexual da personagem de Joan Crawford que vale toda uma problematização.
Mas o que me impressionou mesmo foi a atuação de Lon Chaney. Vê-se claramente como ele se entrega por inteiro ao personagem. Achava que as cenas dele usando os pés para fazer as coisas talvez fosse algum tipo de montagem, mas pelo que andei lendo ele era famoso por se dedicar integralmente a seus personagens, a ponto de sofrer fisicamente por eles.
Uma obra completa.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

segunda-feira, 21 de março de 2016

Fuga de Nova York

título original: Escape from New York
gênero: Ação
duração: 1h 39 min
ano de lançamento: 1981
estúdio:  AVCO Embassy Pictures
direção: John Carpenter
roteiro:  John Carpenter, Nick Castle
fotografia: Dean Cundey
direção de arte: Joe Alves

1997, Nova York se transformou em uma prisão de segurança máxima. Snake, um ex-herói de guerra que está sendo preso, recebe a proposta de ser libertado caso consiga resgatar o presidente dos EUA, que foi sequestrado e levado para dentro da ilha. 
Eu não tenho a mínima idéia porque esse filme estava na linha lista de "Quero Ver".  E continuei assim até acabar.
Eu não vou nem entrar no mérito de efeitos especiais e similares ruins, pois estamos falando dos anos 80. E pelo que me pareceu não era a intenção desse filme ser tosco.
O roteiro me pareceu uma mescla de qualquer filme pós-apocalíptico com "Warriors - Selvagens da Noite". E não cola, tudo é tão forçado para se criar circunstâncias de ação que não consegui levá-lo a sério. Além do que a trama não é bem conduzida, ao mesmo tempo que tudo é levado meio que aos trancos, tudo parece arrastado e sem uma orientação que crie expectativas, suspense, empolgação.
Me lembrou também um pouco um graphic novel que venho lendo e que é muito bom: ZDM. Nova York vira uma zona desmilitarizada, está sitiada e apenas os marginalizados permaneceram na ilha. Mas esse HQ é muito superior a esse filme.

Para complicar mais ainda fiquei com a sensação que a trilha sonora foi mal escolhida e mal colocada. Alguns momentos em que uma música ficaria muito bem de fundo, o filme permanece em silêncio, em outras se coloca músicas "felizes" em cenas de perseguição.
Kurt Russell vestiu bem a idéia do fodão que resolve tudo, típico da década. Agora, como que me colocam um cara com cara de pamonha como Donald Pleasence para ser o presidente dos EUA?
Não achei válido nem para entretenimento.

CLASSIFICAÇÃO: RUIM

Poster e Ficha Técnica: IMDb

sexta-feira, 18 de março de 2016

Intolerância

título original: Intolerance: Love's Struggle Throughout tha Ages
gênero: Drama, Guerra
duração: 3h 17 min
ano de lançamento: 1916
estúdio:  Triangle Film Corporation
direção: D.W. Griffith
roteiro: D.W. Griffith, Anita Loos
fotografia: G.W. Bitzer
direção de arte: D.W. Griffith

O filme retrata a intolerância por meio de quatro histórias através dos tempos: na época da crucificação de Cristo; na Babilônia; na França durante o massacre de São Bartolomeu; e nos tempos contemporâneos ao filme.
Primeiro ponto a ser destacado é que D. W. Griffith produziu esse filme meio que na intenção de "acalmar os ânimos" após "O Nascimento de uma Nação" e também como resposta àqueles que criticaram esta produção.
É um filme sem sombra de dúvidas à frente de sua época, inclusive o acho muito mais significativo para o cinema do que o citado anteriormente.
O duro é conseguir se manter firme durante as suas mais de 3 horas, chega um momento que começa a se tornar um tanto quanto cansativo.
Mesmo assim Griffith conseguiu uma dinâmica diferenciada das produções da época. Ele não conta as quatro histórias separadas e em ordem cronológica. Há uma mescla das quatro histórias, contando pedacinhos de cada uma indo de uma para outra o tempo todo, construindo muito bem o suspense, mas não foi um formato fácil de acompanhar para o público da época, o que o fez tomar na cabeça, pois não conseguiu recuperar os quase 2 milhões de dólares investidos na produções.
Inclusive, aproveitando o valor, outro ponto a ser destacado é grande produção megalomaníaca que foi feita. A história babilônica contou com cenários gigantescos, figurinos suntuosos e quase 3 mil figurantes. Essas cenas em especial ainda não consegui visualizar como foram produzidas e filmadas em pleno 1916.
Pode ser um pouco cansativo, mas vale assistir pela revolução cinematográfica que foi e que com certeza influencia a forma de contar uma história até os dias atuais.

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb

quinta-feira, 17 de março de 2016

A Greve

título original: Stachka
gênero: Drama
duração: 1h 22 min
ano de lançamento: 1925
estúdio:  Goskino
direção: Sergei M. Eisenstein
roteiro:  Grigori Aleksandrov, Sergei M. Eisenstein, Ilya Kravchunovsky, Valerian Pletnev
fotografia: Vasili Khvatov, Vladimir Popov, Eduard Tisse

Recriação de um conflito entre operários e polícia durante uma greve na Rússia no começo do século passado.
O roteiro trabalha muito bem os meios e as consequências de se organizar uma greve, além das figuras comuns dentro do movimento: o líder, o patrão, a força armada, o informante.
 filme tem um cunho político e um engajamento social muito forte. Não trata apenas dos abusos ao proletariado, mas como a greve os leva a um conflito de ideais: enquanto paralisam os trabalhos em busca de melhores condições, a vida pessoal passa a sofrer com a falta de recursos para o básico, como alimentação.
Mas o que mais me impressionou nesse filme foi o trabalho de direção e de fotografia. Há muitas experimentações, com duplas exposições, ângulos mais arriscados, contra luzes. Estilos não muito trabalhados na época.
Aqui já se via a competência de Sergei M. Eisenstein, que mesmo estando em seu primeiro filme, já mostrava a que vinha com um estilo inovador e inteligente,mantido em sua obra que lhe fez famoso: " O Encouraçado Potemkin".

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb

quarta-feira, 16 de março de 2016

O Que é Isso Companheiro?

gênero: Drama
duração: 1h 50 min
ano de lançamento: 1997
estúdio: Columbia Pictures Television Trading Company
direção:  Bruno Barreto
roteiro: Fernando Gabeira, Leopoldo Serran
fotografia: Félix Monti
direção de arte: Marcos Flaksman, Alexandre Meyer

Em 1964 há o golpe militar no Brasil. Em 1968 é promulgado o AI-5 , que acaba com a liberdade de imprensa e tira direitos civis. Após ele, muitos estudantes se juntam a luta armada. Um desses grupos, o MR-8, decide sequestrar o embaixador americano, pedindo como resgate a libertação de alguns presos políticos.
Acho que o mais bacana nesse filme é o retrato cru de um período duro de nossa história. Ninguém é endeusado ou completamente crucificado. Os militantes são mostrados com seus ideias, mas ao mesmo tempo com sua inocência. Os militares, sem deixar de expor suas crueldades, também são retratados junto a suas famílias.
O ritmo da história é perfeito. Vai numa crescente, gerando nervosismo e ansiedade até o clímax, e mesmo após o desfecho a história ainda se estica mais um pouco para por um ponto final completo.
De princípio é um pouco difícil ver tantos atores marcados por personagens de comédia atuando em papéis mais do que sérios(Fernanda Torres, Luiz Fernando Guimarães, Pedro Cardoso, Selton Mello). Mas o comprometimento é tão grande que o estranhamento logo passa e você se vê completamente envolvido pela trama.
A participação de um ator realmente americano no papel do embaixador, Alan Arkin, deu ainda mais veracidade à história.
Com certeza entrou para os meus favoritos nacionais.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

terça-feira, 15 de março de 2016

Sou Feia, mas tô na Moda

gênero: Documentário
duração: 1h 01 min
ano de lançamento: 2005
estúdio: Toscographics
direção:  Denise Garcia
roteiro: Denise Garcia
fotografia: Pedro Bronz, Paulo Camacho, Mathias Maxx

Retrato do funk no começo do auge para a população em geral, lá pelos primórdios dos anos 2000. Mcs, bondes, produtores, Djs e a comunidade dão seu depoimento sobre o que acham do movimento e como a população de fora da favela o vê.
É interessante ver Mr. Catra e Valesca Popozuda em início de carreira, mas já com o posicionamento que mantêm atualmente.
Apesar de ter pouco mais de dez anos, a qualidade da filmagem me remeteu a produções dos anos 90, o que me incomodou um pouco.
Independente disso, as pautas discutidas durante o filme são muito válidas. A sexualização nas letras e como isso foi influenciado pelo axé (febre dos anos 90); o preconceito com a favela e a descredibilização do retrato da vida em comunidade feito nas letras; e, principalmente, a postura empoderada da mulher no funk, retratando seus problemas, tendo uma postura feminista, mesmo que sem consciência disso ou se autointitulando assim.
É um documentário curto, mas prático e informativo sobre uma cultura que poucos vivenciamos ou conhecemos a fundo. 

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Ficha Técnica: IMDb 

segunda-feira, 14 de março de 2016

O Exterminador do Futuro 2 - O Julgamento Final

título original: Terminator 2 - Judgement Day
gênero: Ação, Ficção Científica
duração: 2h 17 min
ano de lançamento: 1991
estúdio:   Carolco Pictures
direção:  James Cameron
roteiro: James Cameron, William Wisher Jr.
fotografia: Johan Ankerstjerne

Sarah Connor conseguiu ter seu filho, o predestinado a ser um grande líder, porém ela é considerada louca e internada, enquanto John fica aos cuidados de uma família adotiva. Enquanto isso um andróide (do mesmo modelo do filme anterior) surge, mas dessa vez para protegê-los de um outro andróide , mais evoluído, que é enviado para destruí-los.
Tanto o primeiro quanto o segundo assiste por estarem no "1001 filmes para ver antes de morrer". "Exterminador do Futuro" foi uma surpresa apesar de enxergá-lo mais como ação do que ficção científica e mais feito para entretenimento mesmo.
Agora, esse filme é um um daqueles casos raros em que a continuação supera a obra original.
Aqui vemos tudo evoluído: roteiro, personagens, efeitos especiais, explosões e maquiagem.
A história abraçou com mais vontade o lado Sci-fi e, muitos anos antes de "Matrix", já começou a questionar o poder das máquinas em nossas vidas.
O uso do "mesmo modelo" de robô, que no primeiro foi o vilão, agora como mocinho e aprendendo a lidar com humanos foi uma ótima sacada também.
E, pelo que havia visto no primeiro filme, jurava que não tinha muito para onde o filme se encaminhar sem ser um certo final óbvio e apocalíptico, outro ponto em que o filme me surpreendeu.
Sarah Connor é uma figura forte, valente e marcante - não apenas aquele ponto sexualizado para agradar o público, em sua maioria, masculino. Coisa rara de se ver em filmes do gênero.
Com certeza o filme merece a boa fama que tem.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

domingo, 13 de março de 2016

Praia do Futuro

gênero: Drama
duração: 1h 46 min
ano de lançamento: 2014
estúdio:  Hank Levine Film
direção:  Karim Aïnouz
roteiro:  Felipe Bragança, Karim Aïnouz , Marco Dutra
fotografia: Ali Olcay Gözkaya
direção de arte: Marcos Pedroso

Donato é um salva-vidas que trabalha na Praia do Futuro, em Fortaleza. Em um resgate, mas sucedido, ele conhece Konrad, amigo da vítima. As circunstâncias os levam a começar um relacionamento, e Donato parte para Berlim junto a Konrad, deixando sua família para trás. Anos depois, Ayrton, seu irmão, parte para a Europa em busca de contatá-lo
Que fotografia incrível! Com certeza um filme para admirar sua beleza estética, cada mínimo detalhe de luz e ângulo com certeza foi pensado com todo carinho.
Infelizmente o roteiro não acompanha. A história é contada em capítulos - formato que gosto muito - mas parece que entre eles ficou faltando trechos importantes da história, algumas coisas ficam sem explicação.
Tudo parece passar de forma arrastada, e o uso excessivo de silêncio parece deixá-lo mais devagar ainda.
Talvez a intenção seja passar o vazio em que se tornou a vida do Donato, ao se anular para tentar cobrir o espaço do amigo morto de Konrad, o que é uma teoria bonita, mas que mesmo assim - para mim - deixou o filme cansativo.

CLASSIFICAÇÃO: REGULAR

Poster e Ficha Técnica: IMDb

sexta-feira, 11 de março de 2016

Contos Iranianos

título original: Ghesse-ha
gênero: Drama
duração: 1h 28 min
ano de lançamento: 2014
direção:  Rakhshan Bani-Etemad
roteiro: Rakhshan Bani-Etemad, Farid Mostafavi
fotografia: Koohyar Kalari
direção de arte: Amir Esbati


A história de vários cidadãos se cruzam, contando seus dramas individuais e coletivos e a luta que cada um passa para continuar mantendo sua vida.
De um tempo pra cá, sempre que tenho oportunidade, tento assistir filmes de origem árabe. O primeiro que vi foi "A Separação" e foi uma experiência incrível, tempos depois vi  "À Procura de Elly", outro que me impressionou.
Mas, por quê? Acredito que por ser uma cultura tão distante e diferente da nossa acaba sendo uma experiência fora do comum.
Pode parecer ridículo o que vou falar, mas é uma descoberta os ver retratando problemas com prostituição, drogas e serviço público, por exemplo. Coisas recorrentes no nosso dia a dia, mas que - por ignorância - não consigo imaginar na rotina deles. A sensação que dá é que vivem apenas sobre repressão e guerra, nada mais acontece.

Mais bonito ainda é ver a figura da mulher, mesmo em uma cultura onde ela é submissa, sendo retratada como uma figura forte e decisiva.
As histórias são retratadas em um estilo mais parecido com documentário, o que traz mais realidade para as histórias.
Por fim, não sei se é coincidência ou não, mas começo a acreditar que Peyman Moaadi está para o cinema iraniano assim como Ricardo Darín está para o cinema argentino.

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Ficha Técnica : IMDb

quarta-feira, 9 de março de 2016

Häxan - A Feitiçaria Através dos Tempos

título original: Häxan - Witchcraft Through the Ages
gênero: Fantasia, Terror
duração: 1h 31 min
ano de lançamento: 1922
estúdio:   Aljosha Production Company
direção:   Benjamin Christensen
roteiro:  Benjamin Christensen
fotografia: Johan Ankerstjerne

O filme documenta, e recria, as perseguições a bruxas e o culto satânico na Idade Média.
É interessante o uso de várias técnicas cinematográficas para reconstruir delírios e figuras fantasmagóricas.
A "análise" dos fatos  segue junto a simulações da época até chegar a um paralelo com doenças mentais - como histeria - e medos enrustidos.

Em uma época que não havia muita censura ainda, vê-se homens e mulheres nus sem problema algum.
O que achei mais curioso, e impressionante, foi o retrato do demônio. Além de ter várias formas de representação durante todo o filme, para a época, vemos uma produção e maquiagem de primeira linha. Inclusive acho que é um dos mais assustadoramente reais que já vi.
Com certeza o filme foi a frente do seu tempo por mesclar crendice e estudos psiquiátricos, e com certeza agradou muito o pessoal do surrealismo por arriscar em uma montagem inovadora e fantasiosa.

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb

terça-feira, 8 de março de 2016

Ex-Machina: Instinto Artificial

título original: Ex-Machina
gênero: Ficção Científica, Suspense, Drama
duração: 1h 48 min
ano de lançamento: 2015
estúdio:  DNA Films
direção:  Alex Garland
roteiro: Alex Garland
fotografia: Rob Hardy
direção de arte: Mark Digby

Um jovem programador , Caleb, ganha um concurso para passar uma semana na casa do criador da empresa em que trabalha. Quando chega, percebe que foi escolhido para um experiência: a de testar a nova criação de Nathan, uma robô com inteligência artificial. Mas a situação sairá do planejado.
Como que esse filme saiu direto pra DVD e TV aqui no Brasil pelo amor de Deus? Merecia muito mais estar indicado a Melhor Filme no Oscar que "Brooklyn" ou "Ponte dos Espiões", inclusive podia estar nas salas de cinemas no lugar desses.
O roteiro mescla muito bem a ficção científica, a drama e o suspense. Até o último minuto você fica naquela incerteza de quem está certo ou errado, o que está realmente acontecendo.
Mereceu muito o prêmio por efeitos especiais; delicado, bem feito e mesmo assim muito convincente.
Diria que é uma mistura de "A.I. - Inteligência Artificial" e "Instinto Selvagem"(=P), não, sério: "1984", "A Revolução dos Bichos" e "Blade Runner".  Apesar do "exagero" (ou não, quem sabe) sobre a evolução das máquinas, há uma junção com a questão da privacidade na internet muito forte. O que faz com que você se coloque ali no lugar do personagem principal.
A prova que Alicia Vikander é uma merecedora de Oscar, na minha opinião, esta muito mais aqui do que em "A Garota Dinamarquesa". Inclusive, só deu ela e Domhnall Gleeson em todos os filmes do Oscar desse ano né?
Emotivo e alarmante ao mesmo tempo, esse filme sabe explorar muitos sentidos ao mesmo tempo. 

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb