terça-feira, 20 de dezembro de 2016

Requiem For The American Dream

título original: Requiem For The American Dream
gênero: Documentário
duração: 1h 13min
ano de lançamento: 2015
estúdio:  Naked City Films
direção: Peter D. Hutchison, Kelly Nyks, Jared P. Scott
roteiro: Peter D. Hutchison, Kelly Nyks, Jared P. Scott
fotografia: Rob Featherstone, Michael McSweeney

Documentário-entrevista com Noam Chomsky onde o intelectual discorre sobre as características econômicas e sociais de nosso tempo.
Descobri essa produção, melhor dizer descobri Noam Chomsky, influenciada por "Capitão Fantástico" e foram duas grandes descobertas esse ano.

Filme curto mas com muito conteúdo, Chomsky discorre principalmente sobre o círculo vicioso entre política - poder - empresas, falando mais especificamente sobre a cena americana, pegando desde os anos 50. Mas tudo que é dito aqui encaixa perfeitamente na história do Brasil, principalmente, no momento atual.
Deveriam passar esse filme, nas escolas, nas ruas, em praça pública.
Disponível na Netflix.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

domingo, 18 de dezembro de 2016

O Céu de Suely

gênero: Drama
duração: 1h 30 min
ano de lançamento: 2006
estúdio: Celluloid Dreams
direção: Karim Aïnouz
roteiro: Karim Aïnouz, Felipe Bragança, Simone Lima, Mauricio Zacharias
fotografia: Walter Carvalho
direção de arte: Marcos Pedroso

Hemrila parte de São Paulo, com seu filho Mateusinho, de volta para sua cidade natal, Iguatu - CE. Ela fica a espera de seu marido, Mateus, que virá algumas semanas depois. Porém, quando ele não vem, ela começa a ter problemas financeiros e desejar sair de lá novamente; é então que tem uma ideia inusitada: rifar uma noite de amor.
Basicamente é uma história de filho pródigo que retorna à casa. Só que não é de coração aberto, na verdade ela não cabe mais nesse lugar. Acredito que a mensagem do filme pode ser essa: por mais que amemos nossas origens talvez aquele não seja mais nosso espaço no mundo.
A fotografia do filme é bem bonita, nos primeiros minutos de trama já fica claro que promete algo interessante, explorando bem as cores e cenas do agreste.
Um ponto interessante sobre o filme é sobre a direção, os atores foram preparados para improvisarem o tempo todo já que o diretor trabalhava de uma forma da qual eles não sabiam de onde a câmera viria.
Isso fui eu querendo ver o lado bom do filme. Tirando esses pontos, o filme é arrastado, os atores parecem estar entorpecidos - por mais que a história peça uma falta de entusiasmo acho que passou do ponto - e como quase toda produção nacional um pouco mais alternativa abusa de cenas sexuais e de nu sem nenhuma necessidade.  

Acredito que o que mais consagra esse filme é o que disse da condução dos atores pelo diretor, mas se não souber disso o filme fica bem enfadonho.

CLASSIFICAÇÃO: REGULAR

Poster e Ficha Técnica: IMDb

sábado, 17 de dezembro de 2016

Capitão Fantástico

título original: Captain Fantastic
gênero: Drama
duração: 1h 58 min
ano de lançamento: 2016
estúdio: Electric City Entertainment
direção: Matt Ross
roteiro: Matt Ross
fotografia: Stéphane Fontaine
direção de arte: Russell Barnes

TEXTO PRODUZIDO PARA CENTRAL 42

Ben, sua esposa Leslie e seus seis filhos vivem no meio de uma floresta. Ele passa os dias dando treinamento físico, de luta, de caça e intelectual para as crianças. Leslie no entanto necessita ser internada em um hospital, após 3 meses de sua ausência ela falece e eles precisam deixar seu paraíso e retornar à cidade para o funeral dela.

Ao ver o trailer talvez se tenha a sensação de que o roteiro endeuse movimentos comunistas ou anarquistas, que demonize o capitalismo, as religiões e a sociedade mundial de forma geral. Ao começar a assistir o filme e ver o comportamento de Ben talvez essas impressões se invertam. A questão é que o filme trabalha sim nossa sociedade ocidental atual, mas não defendendo uma postura ou outra, não tomando partidos e sendo afirmativo, e sim trazendo a posição de questionamento sobre as posturas extremistas cada vez mais presentes nos dias atuais. A trama não trabalha o que é certo ou errado, 8 ou 80, na verdade o tema central é a ponderação, a moderação de pontos de vistas a um meio comum. E é exatamente isso que encanta na história, você pode discordar e concordar em vários pontos do pai ou do avô, porém consegue enxergar que nenhum dos dois está completamente certo.

Confesso que alguns pontos da criação que Ben dá aos filhos me encantaram, como não mentir e sempre fazê-los raciocinar sobre as coisas e não apenas decorar (incluo como exemplo aqui Kielyr explicando o livro Lolita para o pai ou Zaja comentando a lei de Direitos Humanos). Ainda assim essas crianças prodígios são um pouco ilusórias, pois duvido que qualquer pai com essa criação conseguisse construir 6 filhos tão intelectualizados desde os 5 anos. Entretanto trata-se de uma ficção sem nenhum laço com alguma história biográfica, portanto não acredito haver necessidade desse purismo, por mais qua o roteiro seja bem cru.

Ainda sobre o roteiro pode-se destacar os diálogos brilhantes, principalmente envolvendo as crianças, onde discute-se sobre fascismo, consumo descontrolado, as enfermidades da sociedade americana (outra cena a ser observada nesse momento: as crianças comentando a obesidade da população média). A utopia que o casal conseguiu por em prática chega ao ponto de trocar a comemoração do Natal pelo aniversário de Noam Chomsky - é algo tão fora da nossa realidade que beira o cômico, ainda assim, como dito no filme "eles conseguiram construir o paraíso fora da República de Platão". O discurso de Ben no velório pode trazer algumas risadas e a última homenagem a mãe com certeza provocará lágrimas.

Todo esse roteiro, muito bem elaborado, é valorizado por ótimas atuações. Viggo Mortensen abraça com vontade o perfil hippie, natureba, revolucionário, colocando até o corpo para jogo. George MacKay, que ainda não conhecia, impressiona ao conciliar o perfil de alguém muito inteligente mas sem nenhum conhecimento de vivência em sociedade, em alguns momentos beirando o "esquisitão". Samanta Isler e Annalise Basso trazem uma aura de deusas, sábias e fortes. Os pequeninos Shree Crooks e Charlie Shotwell roubam a cena segurando muito bem falas e cenas complexas para suas idades. Frank Langella pouco diz mas muito traz a trama no contraponto a família central. O núcleo formado por Kathryn Hahn, Steve Zahn, Elijah Stevenson e Teddy Van Ee mostram o que seria uma família comum mas, ao ser confrontada pelo núcleo principal, acabam mostrando muitas posições e questões do nosso dia-a-dia que podem ser questionadas.

Quanto aos pontos técnicos do filme a fotografia é leve e sua paleta de cores me remete de alguma forma ao trabalho de Wes Anderson, mas um pouco mais apagado. A trilha sonora é pontual mas incluída nos momentos certos. Logo no começo do filme há uma grande sequência movida pelo silêncio e quando começa a viagem rumo à cidade entra a primeira, e vigorosa, música do filme que muda completamente o ritmo que a trama vinha tendo. Inclusive, boa parte da trilha é composta pelos próprios personagens que a tocam e cantam.

Talvez o mundo não esteja preparado para esse filme e a grande maioria o veja sentindo a necessidade de tomar partidos e "torcer" para um dos lados, ainda assim é uma obra que acredito que deveria ser apreciada por todos.


CLASSIFICAÇÃO: MARAVILHOSO


Poster e Ficha Técnica: IMDb

sexta-feira, 16 de dezembro de 2016

Sing - Quem Cantas Seus Males Espanta

título original: Sing
gênero: Animação, Musical
duração: 1h 48 min
ano de lançamento: 2016
estúdio: Illumination Entertainment
direção: Garth Jennings, Christophe Lourdelet
roteiro: Garth Jennings
direção de arte: Eric Guillon


TEXTO PRODUZIDO PARA CENTRAL 42

O coala Buster é um produtor cultural que acumula fracassos, ao tentar organizar um concurso de canto ele acaba divulgando um valor de prêmio errado e atraindo mais pessoas do que esperava. Os concorrentes que passam da primeira fase são, um ratinho arrogante, uma porco espinho adolescente, uma elefanta tímida, um jovem gorila gangster, e uma porca - mãe de 25 e super atarefada- que forma par com um porco com uma auto-estima de dar inveja. Quem sairá vencedor dessa competição?

Quando vi o trailer desse filme senti um misto de emoções: fiquei empolgada (quem não acha fofo desenhos com bichos dançando e cantando?) e tive medo de ser uma versão animada de The Voice ou X Factor e parar por aí. Para minha sorte o filme foi muito mais do que um concurso de calouros.

Sim, tem a parte do concurso e suas audições, que são bem divertidas inclusive, mas a história se aprofunda mais do que isso. Os personagens principais têm suas histórias contadas paralelamente e conforme a história vai passando - não voltamos no tempo e vemos todas suas vidas, ainda assim ficamos conhecendo bem a trajetória de cada um pelo que acompanhamos de sua vida simultaneamente a parte musical.

Cada personagem tem sua forma de ser carismático, até mesmo os de caráter mais duvidosos como o rato. E isso dificulta tomarmos partido de algum deles para torcermos por um vencedor. A sorte é que a trama surpreende e, em dado momento, as coisas passam a acontecer de forma bem diferente do esperado.

Sendo dos mesmos criadores de "Meu Malvado Favorito", o gráfico é alegre, colorido e divertido. Se tratando de um filme musical não poderíamos esperar pouco da trilha sonora, e esse setor é bem atendido: a maioria das músicas são empolgantes e animadas, mas temos para todos os gostos - há desde "Garota de Ipanema" até "OMG look at her butt".

Ainda que tendo todo um discurso motivacional sobre atingir o fundo do poço e só poder ir para cima, falar sobre superação e perseguir seus sonhos; a trajetória dos personagens é bem realista e em alguns momentos até mesmo crua. Porém, por mais que atinja a crise existencial dos pais, também há piadocas envolvendo pum e afins para os pequeninos.

Por fim, a versão que vi foi original e os dubladores estão de parabéns pois todos cantaram muito bem, não posso afirmar como estará isso na versão brasileira, temos Wanessa Camargo, Sandy e Fiuk como alguns dos personagens.

Com certeza pode ser uma boa diversão para a família.

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb

quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

O Terror das Mulheres

título original: The Ladies Man
gênero: Comédia
duração: 1h 35 min
ano de lançamento: 1961
estúdio: Paramount Pictures
direção: Jerry Lewis
roteiro: Jerry Lewis, Bill Richmond
fotografia: Ken Seng
direção de arte: Sean Haworth

Herbert é um jovem que após passar por uma desilusão amorosa ficou traumatizado em relação a mulheres. Ironicamente ele arruma um trabalho numa pensão só de atrizes.
Jerry Lewis não tem erro. Não é a toa sua fama, o cara sabe fazer comédia como ninguém. Pode ser com a coisa mais boba do mundo, como alguém tirando uma tonelada de coisas de uma mala pequena, mas ele sabe o momento específico de incluir até uma piada dessas para funcionar.
Junto a isso temos um cenário grandioso, similar a uma casa de bonecas, que nos permite passar o olhar de um cômodo a outro sem cortes.
E ainda essa estrutura possibilitou, logo no começo da trama uma sequência coreografada de tirar o fôlego.
Diversão das boas e ainda muito inovadora para sua época.


CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO



Poster e Ficha Técnica: IMDb


quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Um Senhor Estagiário

título original: The Intern
gênero: Comédia
duração: 02h 01 min
ano de lançamento: 2015
estúdio:  Waverly Films
direção: Nancy Meyers
roteiro:  Nancy Meyers
fotografia: 
Stephen Goldblatt
direção de arte: Kristi Zea

Jules criou um site de vendas, após 18 meses a empresa cresceu muito e o negócio se tornou super bem sucedido. Ela é uma mulher muito ocupada e não fica sabendo de um novo projeto até ele ser colocado em prática: contratar idosos como estagiários. A princípio ela torce o nariz ara a ideia, mas aos poucos ao ir conhecendo um dos estagiários, Ben, ela começa a rever seus conceitos.
A primeira questão que fiquei ao ver esse filme foi: Jules Ostin seria Andrea Sachs no futuro? Piadas a parte, Anne Hathaway funciona muito bem nesse tipo de filme: comédias leves, que tem seus pontos de humor cru mas ao mesmo tempo que pode ser visto por toda a família.
Juntamos ela com Robert De Niro e temos uma parceria que funciona. É interessante ver o ator mudando um pouco os ares de sua carreira a essa altura da vida e saindo um pouco do perfil mafioso/filmes de ação. (o que ele vem fazendo desde "Máfia no divã" e "Entrando Numa Fria")
A construção do roteiro quanto as questões da terceira idade, tanto os problemas quanto os preconceitos, brincando com o assunto de forma engraçada e ao mesmo tempo respeitosa.
Com certeza uma opção para se divertir e passar o tempo.

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb

domingo, 11 de dezembro de 2016

Deadpool

título original: Deadpool
gênero: Aventura, Ação, Comédia
duração: 1h 46 min
ano de lançamento: 2016
estúdio: Twentieth Century Fox Film Corporation
direção: Tim Miller
roteiro: Rhett Reese, Paul Wernick, Rob Liefeld, Fabian Nicieza
fotografia: Ken Seng
direção de arte: Sean Haworth

Wade Wilson é um militar desertor que virou mercenário. Ele conhece Vanessa, uma mulher tão problemática quanto ele, e após um tempo de relacionamento Wade descobre estar com câncer terminal. Ele descobre uma experiência científica que pode curá-lo, porém algumas coisas saem do controle e ele se torna um mutante. Wade então vira Deadpool e sai em busca de vingança contra o homem que fez aquilo com ele.
Eu não sabia da existência desse personagem até o filme ser lançado, mas foi uma das melhores descobertas que fiz no mundo dos quadrinhos. Esse é o super-herói mais anti-herói que já vi, alguns podem tentar compará-lo a "Hancock" porém ele é muito superior. O cara não tem filtros, limites e é tão sem-noção que chega a ser difícil de acreditar.
Todo o estilo do personagem é ainda mais valorizado pela constante quebra da 4ª parede que traz outro significado para tudo aquilo (quer melhor maneira de apresentar um personagem do que ele mesmo fazendo isso?)
A classificação alta que o filme recebeu não é a toa: cenas muito violentas (pessoas virando carne moída praticamente e tiros na cabeça explodindo miolos a rodo), de cada 10 palavras 11 são palavrões, e MUITA baixaria e putaria. Mas é disso que se trata Deadpool, não quer ver o que acabei de citar, não veja esse filme.
O enredo em si - fora a apresentação do personagem - acaba sendo um pouco fraco, eu esperava um final mais surpreendente, ainda assim foi aberta uma brecha para uma continuação na qual eu espero uma história melhor construída já que o personagem já foi inserido perfeitamente.
A trilha sonora conduz a história de forma exemplar, te levando junto.
Ryan Reynolds não poderia ter sido melhor escolha para o papel, ele tem um estilo tosco e engraçado que se encaixa perfeitamente com Deadpool, e as piadas feitas com seu papel anterior no mundos dos heróis (Lanterna Verde) e até mesmo com ele próprio como ator mostram que ele entrou de cabeça no trabalho. 
Do mundo Marvel é o filme com maior intenção de divertir de todos, sei que todos são entretenimento, mas esse é o que menos se leva a sério e mais zoa o próprio estilo do qual faz parte. Metalinguagem em cima de metalinguagem e de forma engraçada.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO


Poster e Ficha Técnica: IMDb

sexta-feira, 9 de dezembro de 2016

Thelma & Louise

título original: Thelma & Louise
gênero: Aventura, Drama
duração: 2h 10 min
ano de lançamento: 1991
estúdio: Pathé Entertainment
direção: Ridley Scott
roteiro:  Callie Khouri
fotografia: Adrian Biddle
direção de arte: Norris Spencer

Thelma, uma garçonete quarentona, e Louise, uma dona de casa submissa, resolver viajar juntas por um final de semana. Porém, no início da viagem se envolvem em problemas  e passam a ser perseguidas pela polícia.
se fosse pra resumir esse filme em um termo seria: road movie feminista. Pela primeira vez na história do cinema, um gênero predominantemente masculino foi conduzido por duas personagens mulheres nos papéis principais. A forma como elas desconstroem seus próprios esteriótipos e recriam suas personalidades, se afirmando cada vez mais a cada minuto do filme, é incrível.
O final pode ser um pouco triste e o oposto do que a maioria esperaria, mas sendo cético, era o único possível.
Susan Sarandon e Geena Davis destroem tudo, como unidades cada uma se destaca de uma maneira e veste a camisa do personagem, como grupo a química delas é incomparável, não me surpreenderia se descobrisse que são amigas de infância na vida real.
Como todo road movie a fotografia é linda e os cenários são deslumbrantes.

Se ainda não viu, não perca tempo e veja logo.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO


Poster e Ficha Técnica: IMDb

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Louca Obsessão

título original: Misery
gênero: Suspense, Policial
duração: 1h 47 min
ano de lançamento: 1990
estúdio: Castle Rock Entertainment
direção: Rob Reiner
roteiro:  Stephen King , William Goldman
fotografia: Barry Sonnenfeld
direção de arte: Norman Garwood

Paul Shedon, um famoso escritor, sofre um acidente por causa da nevasca e é socorrido pela enfermeira Annie, que o leva para sua casa e se auto denomina sua fã nº 1. Porém, ao ler o que ele fez com sua personagem favorita no novo livro ela perde a cabeça.
Quer ler um bom livro de suspense? Stephen King. Quer ver um bom filme de suspense? Alguma adaptação de um livro de Stephen King. Principalmente se essa história é inspirada em algo que realmente aconteceu com o autor.
O filme tem poucas ambientações, quase se passa inteiro dentro do quarto de visitas da Annie. Talvez seja exatamente isso que ajude  a criar a tensão da história, você não consegue enxergar quando sairá daquele quarto junto de Paul, ou se sairá.
Além de algumas cenas angustiantes, de arrepiar até o dente, a condução da história é muito bem construída, te deixando sem saber como terminará até o último minuto.
James Caan cai bem no papel de um escritor levemente arrogante e que brinca com o perigo com suas respostas sarcásticas.
Mas quem carrega o filme nas costas é Kathy Bates, impressiona como ela consegue transitar entre personalidades antagônicas em segundos, transformando completamente suas expressões faciais.
Se trata de um filme com mais de 1/4 de século, mas que dá um pau em vários novinhos por aí.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Perdidos Na Noite

título original: Midnight Cowboy
gênero: Drama
duração: 1h 53 min
ano de lançamento: 1969
estúdio: Jerome Hellman Productions
direção: John Schlesinger
roteiro:  Waldo Salt, James Leo Herlihy
fotografia: Adam Holender
direção de arte: John Robert Lloyd

Joe Buck é um cowboy bonitão do Texas que decide partir para Nova York acreditando ser a salvação das mulheres solitárias de lá. A questão é que sua clientela acaba não aparecendo e o único apoio que encontra é em Rizzo, um malandro que se vira para sobreviver e sonha em ir morar na Flórida.
Não faz muito tempo que li o livro em que esse filme se baseia. Me lembro muito bem da sensação de decadência da sociedade, do ser humano, e dos indivíduos retratados no filme. Isso está no filme, claro, mas - por mais que uma produção visual tenha mais artifícios - sinto que essa sensação não ficou tão forte.
A fotografia é interessante e em vários momentos casa bem com o clima psicodélico dos anos 60.
Jon Voight está perfeito no papel do caipira simplório e ingênuo que, movido por um sonho, vai para uma cidade grande onde não faz ideia como as coisas funcionam.
E, apesar de Joe Buck ser o personagem principal, quem rouba a cena mesmo é Ratso Rizzo. Dustin Hoffman está impecável, a forma de andar, de se expressar, seus gestos e, principalmente, a trajetória de seu personagem do meio pro fim impressionam.
Um ponto um pouco fraco é o ritmo do filme que se arrasta em alguns momentos e - por uma falta de trilha sonora nesses momentos - acabam parecendo mais longos.
Ainda assim é uma boa adaptação com uma história que te põe pra pensar sobre as camadas da sociedade e a quais destinos estão fadados.


CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb

segunda-feira, 5 de dezembro de 2016

Rede de Intrigas

título original: Network
gênero: Drama
duração: 2h 01min
ano de lançamento: 1976
estúdio: Metro-Goldwyn-Mayer (MGM)
direção: Sidney Lumet
roteiro: Paddy Chayefsky
fotografia: Owen Roizman
direção de arte: Philip Rosenberg

Howard Beale é um apresentador de TV, após consecutivas quedas de audiência de seu programa, ele é demitido. Ainda cumprindo aviso prévio ele fala em seu programa que se matará ao vivo. A produção o tira imediatamente de lá mas sua declaração causa um rebuliço entre os espectadores. Como o canal está com programas financeiros resolve recolocar Howard na programação, que passa a incorporar um profeta louco, mesmo causando preocupação nas pessoas próximas. Porém, ainda que trazendo muita audiência para o canal Beale passa a incomodar o alto escalão.
A princípio, até acostumar com os personagens, a trama pode parecer um pouco confuso, pois ela não espera, já começa acontecendo tudo. Mas aos poucos as coisas vão entrando nos eixos e a grandeza desse trabalho fica claro.
O roteiro trabalho sublimemente, e com um olhar de dentro, a crítica ao 4º poder, a manipulação das notícias e da população, e também uma forte crítica ao sistema capitalista - mas também aos pseudo sistemas revolucionários.
Faye Dunaway impressiona no papel de uma mulher yuppie, que se posiciona como "um homem de saias" para ser aceita em um meio majoritariamente masculino. Robert Duvall, apesar de não ter muitas cenas, deixa claro sua posição de empresário sanguinário e sem ética.
Agora, quem ocupa grande parte da história e merece destaque pelo que consegue fazer com seu tempo é Peter Finch, cansado do sistema, mas ao mesmo tempo entregue, não fica claro até que ponto ele realmente está tendo um surto psicótico ou usa disso para manipular as pessoas e falar o que quer.

Única coisa que talvez dispensaria do filme é um envolvimento amoroso que não traz muita coisa a trama.
Ainda assim, acredito que é um filme necessário, super atual e contundente.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

domingo, 4 de dezembro de 2016

Manhattan

título original: Manhattan
gênero: Comédia, Romance
duração: 1h 36 min
ano de lançamento: 1979
estúdio:  Jack Rollins & Charles H. Joffe Productions
direção: Woody Allen
roteiro: Woody Allen, Marshall Brickman
fotografia: Gordon Willis
direção de arte: Mel Bourne

Isaac é um escritor de meia-idade, frustrado com seu trabalho, com bloqueio criativo em seu novo livro e preocupado com o livro que sua ex-esposa, que o largou para viver com outra mulher, está escrevendo sobre a vida dos dois. Ele está envolvido com uma garota de 17 anos, mas acaba se vendo interessado pela amante de seu melhor amigo.
Para quem já viu "Noivo Neurótico, Noiva Nervosa" muito desse filme vai deixar um gosto de "já vi isso antes".
Ainda assim o roteiro trabalha de forma descontraída pseudo-discussões de supostos intelectuais. Há comentários sarcásticos para todos os gostos, mas principalmente sobre relacionamentos e psicanálise.

E por mais que a relação entre Issac e Tracy esteja ali simbolicamente para mostrar a imaturidade do personagem principal, é muito complicado ver essa situação criada e atuada por Woody Allen. Até que ponto isso não é um retrato verdadeiro de si mesmo? Além disso, ainda que não o fosse, é bem questionável romantizar um relacionamento pedófilo.
Deixando isso a parte, Diane Keaton está exuberante e Meryl Streep, por mais que apareça pouco, já deixa sua marca.
A fotografia e a trilha sonora são outros pontos que merecem atenção, delicadas e marcantes no ponto certo.

Não é um filme que me impressionou, e por mais que tenham pontos altamente criticáveis, é um filme que tem suas qualidades.

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb

sábado, 3 de dezembro de 2016

O Mensageiro do Diabo

título original: The Night of the Hunter
gênero: Drama, Policial
duração: 01h 32 min 
ano de lançamento: 1955
estúdio:  Paul Gregory Productions
direção: Charles Laughton, Robert Mitchum, Terry Sanders
roteiro:  Davis Grubb, James Agee, Charles Laughton
fotografia: Stanley Cortez

O reverendo Harry Powell é um serial killer que busca viúvas para desposá-las, pegar seu dinheiro e depois matá-las. Após roubar um carro e ser preso ele conhece na cadeia Ben, um pobretão preso por roubar um banco e matar duas pessoas, que está condenado à pena de morte. Quando sai da prisão, Harry vai ao encontro da família de Ben para tentar encontrar o dinheiro que foi escondido.
Robert Mitchum está incrível nessa figura semi-demoníaca que tem as palavras Amor e Ódio tatuadas nos dedos. Sua serenidade, que passa uma tensão a explodir, deixa sempre aquele suspense sobre o que ele é capaz de fazer. Sua queda de braço consigo mesmo marcou o filme e, não atoa, passa em um único momento todo o conceito do filme.
Ainda sobre elenco, é lindo ver Lillian Gish desistindo de sua semi-aposentadoria para fazer um papel tão empoderado e forte (pela primeira vez escuto sua voz). Quanto a Shelley Winters gostaria de saber qual é a dela que sempre cai no papo dos homens errados? Piada a parte, ela faz muito bem o papel de uma mulher simples e devota ao marido.
Quanto as questões técnicas, a fotografia é incrível e tem uma inspiração no expressionismo e um pé nos film noir. A trilha sonora é muito boa e ajuda muito bem a conduzir essa trama tensa.
Um clássico que não envelhece, obrigada "1001 filmes para ver antes de morrer" por me apresentar essa obra.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb