terça-feira, 24 de março de 2015

Cabra Marcado Para Morrer

gênero: Documentário
duração: 119 min
ano de lançamento: 1984
estúdio: Eduardo Coutinho Produções Cinematográficas, Mapa Filmes
direção:  Eduardo Coutinho
roteiro: Eduardo Coutinho
fotografia: Fernando Duarte, Edgar Moura



Pela primeira vez na história desse blog irei misturar a sinopse com a crítica, pois se trata de um filme tão fora dos padrões que não dá pra separar uma coisa da outra.
Eduardo Coutinho começou esse filme por volta de 64, contando a história de  João Pedro Teixeira, um camponês morto em 62 por ser envolvido com o movimento sindical rural. Sua idéia a princípio era contar a história de sua vida a revivendo e tendo nos papéis as próprias pessoas que conviveram com ele.
Porém, houve o golpe militar, as filmagens foram interrompidas e o material apreendido. 
Dezessete anos depois, Coutinho reuniu a equipe e foi em busca da viúva de João Pedro, Elizabeth Teixeira, e dos companheiros da Liga camponesa, para que esses narrassem o que aconteceu na época do assassinato, das filmagens e como foram suas vidas depois disso.

Tudo bem que, sendo a filmagem da década de 80, o som atrapalha um pouco em acompanhar a história, o sotaque muito carregado também dificulta entender algumas partes da narrativa, mas nada disso tira nem um décimo de segundo de perfeição dessa produção.
O que costumamos ver sobre a Ditadura são filmes ou documentários sobre pessoas das capitais, normalmente intelectuais, envolvidos em militância e sindicatos. Aqui, vemos o povo do interior, do campo, e como eles lidaram com esse período. Vale lembrar que na década de 60/70 os trabalhadores rurais não tinham nem metade dos direitos trabalhistas que os trabalhadores urbanos tinham.

E o melhor de tudo é entender que o campo também era politizado, e que falta de estudo não é sinônimo de ignorância! Elizabeth Teixeira deveria ter uma estátua em sua homenagem!
São tantas frases simples mas certeiras desse povo que se for escrever todas que me marcaram transcrevo o roteiro, mas vale deixar algumas para fechar:



A luta é que não pode parar! Enquanto se diz que tem fome e salário de miséria o povo tem que lutar."

" Eu disse: coronel, não tem nada de comunista aqui, nem cubano, nem nada. Tem um povo morrendo de fome, doente, sofredor, como eu mesmo tô doente. Que precisa de remédio e de comer, esse povo daqui, de liberdade e de terra pra trabalhar."


CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

quinta-feira, 19 de março de 2015

Cold Mountain

título original: Cold Mountain
gênero: Drama, Romance
duração: 154 min
ano de lançamento: 2003
estúdio: Miramax
direção:  Anthony Minghella
roteiro: Charles FrazierAnthony Minghella
fotografia: John Seale
direção de arte: Dante Ferretti

Fim da Guerra Civil Americana, o soldado Inman parte de volta para sua terra onde sua amada, Ada, espera por ele. Em paralelo é contada a história de como esse amor começou.
Já tinha ouvido falar tanto desse filme que resolvi assistir. Com certeza é um romance bonito, sofrido, mas muito longo. Juro, quase 3 horas foram demais para contar essa história, dava pra ter enxugado uma hora ou mais.

A fotografia é incrível, trilha sonora casa perfeitamente com todo o resto.
O elenco é de peso, mas acho que a trama não conseguiu aproveitar como podia esses gigantes. Porém, é indiscutível que Renée Zellweger rouba a cena da personagem principal, Nicole Kidman.

Depois de quase três horas, o final me deixou um pouco frustrada, mas com certeza é um ponto a favor por ter fugido de clichês.

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb


quarta-feira, 18 de março de 2015

Três é Demais

título original: Rushmore
gênero: Comédia, Drama
duração: 93 min
ano de lançamento: 1998
estúdio:  Touchstone Pictures
direção: Wes Anderson
roteiro: Wes Anderson, Owen Wilson
fotografia: Robert D. Yeoman
direção de arte: David Wasco

Max é um bolsista na conceituada escola Rushmore. Ele se dedica mais a matérias extra-curriculares do que as normais e isso está pondo em risco sua estadia na escola. Max se apaixona por uma professora da escola e fica amigo de um magnata depressivo, a partir daí sua vida mudará.
Gosto muito dos filmes do Wes Anderson, costumo já começar seus filmes com uma boa expectativa pois sempre o tenho em alta estima. Porém, não foi bem por aí com esse filme.
Achei o roteiro cansativo, os personagens nada cativantes e o desenvolver da trama arrastado.
Se não fosse pela fotografia marcante e a ótima trilha sonora, não reconheceria como filme dele.
Vi muitas pessoas o elogiando no Filmow, queria de verdade ter enxergado isso.
Não entrou pra minha galeria de favoritos do diretor.

CLASSIFICAÇÃO: REGULAR

Poster e Ficha Técnica: IMDb


terça-feira, 17 de março de 2015

A Culpa é das Estrelas

título original: Tha fault in our stars
gênero: Drama, Romance
duração: 126 min
ano de lançamento: 2014
estúdio:  Foz 2000 Pictures
direção: Josh Boone
roteiro:  Scott NeustadterMichael H. Weber, John Green
fotografia: Ben Richardson
direção de arte: Molly Hughes

Hazel é uma garota com câncer que se mantém viva graças a uma droga experimental. Seus pais a forçam a entrar em um grupo de apoio, lá ela conhecerá Augustus, um rapaz que mudará sua vida.
Eu fiquei receosa de ler o livro, best-sellers sempre me deixam com o pé um pouco atrás. Daí quando saiu o filme no cinema achei melhor lê-lo antes. Porém, como o frênesi era  muito grande nas redes sociais acabei não conseguindo escapar se um enorme spoiler sobre o final do filme. Peguei esse final de semana passando na TV e resolvi assistir.
A princípio pode parecer apenas mais um daqueles filmes pesados sobre crianças com câncer. Lógico que não tem como fugir completamente do tema tratado, mas é muito mais leve. A personagem principal é a pessoa mais desapegada, mas ao mesmo tempo de uma maneira pessimista, já Gus é o otimismo em pessoa.
Eu arriscaria dizer que se trata mais de um filme sobe relacionamentos do que sobre doenças terminais.
O casal principal tem carisma e química, o que ajuda muito em um tema tão delicado.
Mas não se engane, vai ser difícil terminar de assistir sem chorar.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

segunda-feira, 16 de março de 2015

O Dossiê Pelicano

título original: The Pelican Brief
gênero: Suspense, Policial
duração: 141 min 
ano de lançamento: 1993
estúdio: Warner Bros.
direção: Alan J. Pakula
roteiro: John GrishamAlan J. Pakula 
fotografia: Stephen Goldblatt
direção de arte: Philip Rosenberg

Derby, uma estudante de Direito, passa a investigar o assassinato de dois juízes do Supremo. Porém, seu dossiê cai nas mãos erradas e sua vida fica em risco.
Trama política, envolvendo acordos, interesses, manipulações. O filme já tem 20 anos, mas o tema continua super atual.
A maneira como a história é conduzida pode te deixar tenso do começo ao fim, sempre esperando pelo próximo passo daqueles que estão atrás de Derby, e também para descobrir quem são.
Bom ver Julia Roberts em um papel menos comédia romântica. Aqui vemos seu potencial.
Valeu cada minuto.

CLASSIFICAÇÃO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

terça-feira, 10 de março de 2015

Hitchcock

título original: Hitchcock
gênero: Drama
duração: 98 min 
ano de lançamento: 2012
estúdio: Fox Searchlight Pictures
direção: Sasha Gervasi
roteiro: John J. McLaughlinStephen Rebello
fotografia: Jeff Cronenweth
direção de arte: Judy Becker

A trama narra o período da vida de Alfred Hitchcock quando estava no processo criativo de sua maior obra prima: Psicose.
O filme com maior Spoiler de todos! Na verdade o roteiro todo é um grande spoiler sobre Psicose. Eu, que já assisti, não tenho do que reclamar, é até interessante observar as similaridades, a escolha dos atores que interpretariam os atores reais, as referências. Mas para quem não o viu, simplesmente recomendo que não assista a esse filme, ou só assista depois que vir Psicose. Se não, será uma baita de uma decepção.
Achei a maquiagem feita em Anthony Hopkins simplesmente incrível, ficou quase idêntico ao Hitchcock original.
Se tratando do gênio do terror acho que a fotografia poderia ser mais sombria, mas talvez tenha sido a intenção contrastar a vida real com o imaginário do diretor.
Há referências na direção desse filme a cortes e conduções de câmera típicas de Hitchcock também, o que achei uma singela homenagem, mas muito bacana.
Um ponto a parte, não sabia que "Um Corpo que Cai" tinha sido um fracasso de bilheteria e fiquei decepcionada ao descobrir isso assistindo a esse filme. Ah e há referência a outro filme dele no final, que garante um sorriso.

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb

quinta-feira, 5 de março de 2015

Caminhos Perigosos

título original: Mean Streets
gênero: Drama, Policial
duração: 112 min 
ano de lançamento: 1973
estúdio: Warner Bros.
direção: Martin Scorsese
roteiro: Martin Scorsese, Mardik Martin
fotografia: Kent L. Wakeford

Charlie é um rapaz que pretende crescer dentro dos trabalhos feitos nos guetos de Nova York. Porém, ao mesmo tempo tem que controlar seu amigo Johnny Boy, um rapaz agressivo, impulsivo e que vive se metendo em encrenca por causa de dívidas em jogo.

Gostaria de deixar bem claro primeiro que perdi grande parte do que poderia aproveitar desse filme porque o assisti no TCM, que passou uma versão dublada onde os sons de fundo estavam mais altos do que os diálogos.
Partindo desse ponto, temos aqui um filme típico do Scorsese: máfia, violência, guetos. Típico, lógico, pra quem já viu os mais recentes. Essa foi uma de suas primeiras obras e a primeira parceria com Robert De Niro. Aqui ele começava a criar um estilo que o consagrou e consagra até hoje.
O roteiro trabalha muito bem o glamour e a decadência da máfia. Os custos e benefícios.

Harvey Keitel, no papel principal, interpreta muito bem um wannabe mafioso. Agora, Robert De Niro está insuportavelmente bem  no papel de um rapaz um tanto quanto desequilibrado, ele convence tanto no papel de um jovem inconsequente que até dá raiva.
O clímax, ao final do filme, fecha a trama com chave de ouro.

CLASSIFICAÇÃO: BOM

Poster e Ficha Técnica: IMDb