quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Má Educação


título original: La Mala Edicacíon
gênero: Drama
duração: 106 min 
ano de lançamento: 2004
estúdio: Canal + España, El Deseo S.A., 
direção: Pedro Almodóvar
roteiro: Pedro Almodóvar
fotografia: 
José Luis Alcaine
direção de arte: Antxón Gómez

Um cineasta, passando por um bloqueio criativo, encontra um ator a procura de emprego que se diz ser um amigo da época da escola, e primeiro amor de sua vida. Ele traz consigo um roteiro baseado na infância dos dois, época em que estudaram em um internato de padres e relata tendências pedófilas de um de seus professores. Mesmo estando muito interessado pelo roteiro, suspeita desse ressurgimento e vai em busca de informações sobre o rapaz.
Aqui Almodóvar foge de um padrão seu: o roteiro girando em torno de personagens femininas e seus conflitos. Com apenas uma personagem mulher, secundária, o roteiro não deixa de ter o toque feminino muito bem representado pelas travestis inclusas na história.
Um ponto muito interessante que sempre percebo nas histórias dele, é a possível inspiração em sua própria vida. Vejamos: cineasta com bloqueio criativo e relacionamentos homossexuais, como posso não imaginar que tenha alguma relação com sua própria vida? Que ele já não tenha passado pela situação de atores interesseiros que se mostram dispostos a fazer qualquer coisa para estar em uma produção sua?
A história pode até ser um pouco previsível, eu pelo menos, lá pela metade, já tinha previsto quase tudo que aconteceria. Mas isso não tira o mérito em nada dessa produção forte e pesada.
É muito emoção envolvida. Assuntos polêmicos jogados na cara do telespectador. A igreja e a pedofilia, homossexuais que caem no limbo pela não aceitação da sociedade, pessoas que se prestam a qualquer coisa para atingir seus objetivos.
O destaque fica para as atuações. Por exemplo, conheci Lluís Homar em "Abraços Partidos" e esse é o segundo filme que vejo com ele, mas já ganhou meu respeito. No papel de um padre que se apaixonou por um aluno e depois se envolve com um rapaz que só tem interesse por seu dinheiro, seu "enrustimento"é muito bem trabalhado.
Porém quem dá um show é Gael Garcia Bernal, de longe o melhor papel que já o vi interpretando. Golpista, ator dentro do ator ("A Origem", oi?), irmão desnaturado e travesti. Gente ele não é só um rostinho bonito, cada vez tenho mais certeza da capacidade dele como ator. Ou vocês acham que um ator superficial, que só quer ser galã e ficar famoso, se prestaria a fazer cenas beijando outro homem? Inclusive, nunca vi um travesti tão lindo nas telas, talvez nem na vida real. 
Até o momento nenhum filme dele superou "Fale Com Ela" pra mim, mas esse chegou perto. Com certeza um dos mais tocantes, chocantes e impressionantes filmes desse mestre. Só uma coisa, se você é homofóbico, ou "só não gosta de ver homens se beijando", melhor não assistir. 

CLASSIFICAÇAO: ÓTIMO

Poster e Ficha Técnica: IMDb

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Observação: somente um membro deste blog pode postar um comentário.